{"id":1658,"date":"2013-04-10T15:08:06","date_gmt":"2013-04-10T18:08:06","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1658"},"modified":"2013-04-10T15:08:06","modified_gmt":"2013-04-10T18:08:06","slug":"o-fim-dos-suplementos-literarios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1658","title":{"rendered":"O FIM DOS SUPLEMENTOS LITER\u00c1RIOS"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-10-\u00e0s-15.02.01.png\" alt=\"Captura de Tela 2013-04-10 \u00e0s 15.02.01\" width=\"868\" height=\"481\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1659\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-10-\u00e0s-15.02.01.png 868w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-10-\u00e0s-15.02.01-300x166.png 300w\" sizes=\"(max-width: 868px) 100vw, 868px\" \/><br \/>\nA not\u00edcia recente do pr\u00f3ximo fechamento do suplemento Sab\u00e1tico do Estad\u00e3o reacendeu a indigna\u00e7\u00e3o de escritores, cr\u00edticos e leitores que ali encontravam um produto cada vez mais raro na imprensa impressa, resenhas cr\u00edticas que ultrapassavam as limita\u00e7\u00f5es da simples not\u00edcia e, muitas vezes, an\u00e1lises mais detidas de fen\u00f4menos culturais importantes.<\/p>\n<p>O fechamento do suplemento, e a diminui\u00e7\u00e3o em geral do espa\u00e7o destinado aos livros nos jornais di\u00e1rios n\u00e3o \u00e9, certamente, um fen\u00f4meno novo. Os chamados \u201crodap\u00e9s\u201d, as colunas na parte de baixo das p\u00e1ginas, ocupadas por cr\u00edticos de imenso prest\u00edgio social e cultural (nomes como Trist\u00e3o de Ata\u00edde, \u00c1lvaro Lins, Agripino Grieco, entre outros tantos), que praticamente determinavam a aceita\u00e7\u00e3o ou o esquecimento de autores, foram as primeiras baixas. O dom\u00ednio exclusivo de um grande nome pontificando em cada jornal foi exitosamente substitu\u00eddo em alguns dos grandes jornais pelos suplementos de literatura, onde havia uma pluralidade de colaboradores (embora geralmente a partir de diretrizes comuns). O \u201cSuplemento Liter\u00e1rio\u201ddo Estad\u00e3o (1956-1967) e o \u201cSuplemento Dominicial\u201d do Jornal do Brasil (1956-1961) s\u00e3o as lembran\u00e7as mais recorrentes. Os dois foram substitu\u00eddos pelo \u201cCaderno Ideias\u201d, no JB, e pelo \u201cCultura\u201d e pelo \u201cSab\u00e1tico\u201d, que agora se extingue, no Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o que importa aqui n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria dessas publica\u00e7\u00f5es, e sim uma r\u00e1pida reflex\u00e3o sobre os que as fizeram desaparecer ou mudar, e que perspectiva se v\u00ea pela frente.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAs explica\u00e7\u00f5es mais recorrentes sobre o passamento dos suplementos liter\u00e1rios\/culturais fazem referencia \u00e0 op\u00e7\u00e3o dos jornais por formatos que privilegiam a quantidade da informa\u00e7\u00e3o em detrimento de sua qualidade. <\/p>\n<p>\u00c9 uma conversa que vem desde o fortalecimento do r\u00e1dio como meio de transmiss\u00e3o de not\u00edcias, passando pela televis\u00e3o e culminando, nos \u00faltimos anos, com o desenvolvimento da Internet. Subjacente a ela, entretanto, h\u00e1 outro fator mais importante: todas essas publica\u00e7\u00f5es eram cronicamente deficit\u00e1rias, considerando as receitas publicit\u00e1rias dos jornais. <\/p>\n<p>A aus\u00eancia de an\u00fancios nesses cadernos sempre foi apresentada pelos departamentos comerciais \u00e0s respectivas editorias como uma amea\u00e7a permanente. Os custos de produ\u00e7\u00e3o, impress\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o desses suplementos jamais foi coberto pela receita publicit\u00e1ria que geravam.<\/p>\n<p>Acompanhei essa lenga-lenga v\u00e1rias vezes. Os departamentos comerciais mostravam, principalmente, como os segmentos empresariais supostamente mais interessados na sua manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o publicavam an\u00fancios. As editoras, de fato, raramente publicam an\u00fancio. E, quando o fazem, sempre s\u00e3o min\u00fasculos e ocupam, no conjunto, pouco espa\u00e7o em cm\/colunas. Os editores \u2013 e os leitores, e a \u201cintelligentsia\u201d retrucavam sempre que o prest\u00edgio dos cadernos compensava essa falta de an\u00fancios.<\/p>\n<p>Os departamentos comerciais sempre ganhavam as paradas, e os suplementos fecharam. At\u00e9 que outro diretor se iluminava e resolvia ressuscitar os cadernos, geralmente sob uma forma mais ampla (tratando de mais assuntos culturais), at\u00e9 que, mais uma vez&#8230;<\/p>\n<p>Bem, tentamos pensar um pouco sobre os dois assuntos.<\/p>\n<p>Primeiro, a concorr\u00eancia com a Internet, que \u00e9 o pretexto de hoje, como j\u00e1 foram o r\u00e1dio e a televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Jornal que tentar concorrer com a Internet , com a rapidez e o car\u00e1ter sint\u00e9tico das not\u00edcias que s\u00e3o veiculadas por ali j\u00e1 perdeu a parada antes de come\u00e7ar a corrida. Por a\u00ed n\u00e3o vai, e os pr\u00f3prios jornais j\u00e1 montaram seus sites com as \u201c\u00faltimas not\u00edcias\u201d na capa. Mesmo assim est\u00e3o perdendo a concorr\u00eancia com os portais, que oferecem outros servi\u00e7os aos internautas e links para uma diversidade maior de assuntos. Quem ainda se sustenta nessa hist\u00f3ria \u00e9 a FSP, n\u00e3o por conta do jornal, mas por causa do seu portal UOL, que tem essas caracter\u00edsticas de amplitude.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o adianta rechear o jornal com colunistas (ou palpiteiros). A Internet pulula com esses personagens (como eu), que s\u00e3o lidos ou por um segmento especializado de leitores, ou por afinidades pol\u00edticas ou sociais. E, como os jornal\u00f5es em grande medida publicam os mesmos colunistas (coincid\u00eancia ou afinidades eletivas?), os palpites est\u00e3o espalhados pela rede.<\/p>\n<p>Aparentemente a solu\u00e7\u00e3o que funciona \u00e9 a que mantem a qualidade editorial e a amplitude da cobertura no jornal impresso, e consegue transferir isso tamb\u00e9m para a Internet. A rede est\u00e1 cheia de experi\u00eancias do tipo, mas cada vez leio mais not\u00edcias de que o modelo do New York Times \u00e9 o que est\u00e1 se consolidando. O NYT consegue manter um alto n\u00edvel de qualidade editorial, com reportagens aprofundadas sobre os temas, que v\u00e3o al\u00e9m do notici\u00e1rio cotidiano. S\u00f3 para citar alguns exemplos recentes, detonou as condi\u00e7\u00f5es de fabrica\u00e7\u00e3o de produtos da Apple na China, tem feito reportagens abrangentes sobre o uso de drones nas guerras dos EUA. E mantem o New York Times Book Review, o suplemento liter\u00e1rio dos domingos. \u00c0s sextas feiras os assinantes cadastrados (gr\u00e1tis) recebem um e-mail com o conte\u00fado integral do suplemento. E podem ler, tamb\u00e9m gratuitamente, vinte mat\u00e9rias completas por m\u00eas. Se passar disso, tem que pagar. <\/p>\n<p>Essa e outras experi\u00eancias de divulga\u00e7\u00e3o do conte\u00fado do jornal impresso pela Internet est\u00e3o em processo. Ningu\u00e9m sabe, exatamente, qual ser\u00e1 o modelo que ir\u00e1 realmente vingar. Mas, pelo que acompanho, n\u00e3o \u00e9 o modelo de reduzir qualidade de conte\u00fado e desprezar segmentos como o de livros e leitura.<\/p>\n<p>Outro caso \u00e9 o dos an\u00fancios para os suplementos. As tentativas de fazer as editoras anunciarem nos cadernos culturais esbarram na mesma l\u00f3gica econ\u00f4mica dos departamentos comerciais. \u00c9 muito caro, proporcionalmente, anunciar livros nos jornais. Mesmo com as tabelas promocionais. Calculem s\u00f3 quantos exemplares um livro que custe R$ 50,00 tem que vender para pelo menos pagar o custo de um an\u00fancio, depois dos descontos para todos os segmentos da cadeia. N\u00e3o sei como andam as tabelas, mas certamente \u00e9 irreal pensar que um an\u00fancio (sempre pequeno) venda livros em quantidade suficiente para isso.<\/p>\n<p>O caminho, evidentemente, n\u00e3o pode ser insistir nisso.<\/p>\n<p>Marcelino Freire, sempre mordaz, publicou uma cr\u00f4nica em seu blog <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/marcelinofreire.wordpress.com\/2013\/04\/08\/carta-aberta-ao-estadao-ao-governo-as-concessionarias-e-aos-garotos-e-garotas-de-programa\/');\"  href=\"http:\/\/marcelinofreire.wordpress.com\/2013\/04\/08\/carta-aberta-ao-estadao-ao-governo-as-concessionarias-e-aos-garotos-e-garotas-de-programa\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmarcelinofreire.wordpress.com%2F2013%2F04%2F08%2Fcarta-aberta-ao-estadao-ao-governo-as-concessionarias-e-aos-garotos-e-garotas-de-programa%2F','Os+Ossos+do+Of%C3%ADdio')\" target=\"_blank\">Os Ossos do Of\u00eddio<\/a>  no qual p\u00f5e o dedo na ferida. An\u00fancio em suplemento cultural s\u00f3 vai funcionar se, em vez de tentar buscar an\u00fancios de livros, anunciar outras coisas que eventualmente tenham como p\u00fablico alvo os que tamb\u00e9m s\u00e3o leitores de livros. N\u00e3o tenho o talento e a verve do Marcelino para advogar que garotas e garotos de programa ganhem bonifica\u00e7\u00f5es se anunciarem nas p\u00e1ginas de cultura, mas certamente outros an\u00fancios estariam bem melhor colocados ali que nas p\u00e1ginas gerais ou mesmo na dos respectivos segmentos (como telefonia e inform\u00e1tica, por exemplo).<\/p>\n<p>Tenho certeza de que o resultado final dessa dizima\u00e7\u00e3o dos cadernos culturais por parte dos jornal\u00f5es pode at\u00e9 trazer o aumento imediato de sua rentabilidade, medida na rela\u00e7\u00e3o entre faturamento e custos. Mas isso contribui para o aumento de sua irrelev\u00e2ncia e, no final das contas, para que percam a grande corrida pela sobreviv\u00eancia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A not\u00edcia recente do pr\u00f3ximo fechamento do suplemento Sab\u00e1tico do Estad\u00e3o reacendeu a indigna\u00e7\u00e3o de escritores, cr\u00edticos e leitores que ali encontravam um produto cada vez mais raro na imprensa impressa, resenhas cr\u00edticas que ultrapassavam as limita\u00e7\u00f5es da simples not\u00edcia e, muitas vezes, an\u00e1lises mais detidas de fen\u00f4menos culturais importantes. 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