{"id":164,"date":"2011-07-19T20:28:31","date_gmt":"2011-07-19T23:28:31","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=164"},"modified":"2011-07-19T20:28:32","modified_gmt":"2011-07-19T23:28:32","slug":"resenhas-e-criticas-o-livro-na-imprensa-e-na-rede","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=164","title":{"rendered":"Resenhas e cr\u00edticas, o livro na imprensa&#8230; e na rede"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=165\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D165','Capturar2')\" rel=\"attachment wp-att-165\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar2.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar2\" width=\"862\" height=\"364\" class=\"aligncenter size-full wp-image-165\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar2.jpg 862w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar2-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 862px) 100vw, 862px\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 muito que autores, editores e leitores reclamam que o espa\u00e7o dedicado ao livro diminuiu radicalmente na imprensa escrita.  Acabaram-se os cadernos liter\u00e1rios, substitu\u00eddos pelos de variedades, onde o livro ocupa um espa\u00e7o ocasional e muito menor que antes. Comenta-se com nostalgia o desaparecimento dos cr\u00edticos de \u201crodap\u00e9\u201d, os titulares que mantinham se\u00e7\u00f5es fixas nos jornais, mal substitu\u00eddos pela chamada cr\u00edtica universit\u00e1ria, herm\u00e9tica na forma, e que tamb\u00e9m n\u00e3o aparece na grande imprensa, e se refugia nas publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, anais de congressos etc.<br \/>\nPara entender e superar essa choradeira geral \u00e9 preciso considerar algumas coisas.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nos jornais para tantos livros publicados. A produ\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos cresce exponencialmente, e crescer\u00e1 ainda mais com o fen\u00f4meno da autopublica\u00e7\u00e3o, que provoca nos EUA fen\u00f4menos com o lulu.com, que joga ao p\u00fablico mais de meio milh\u00e3o de t\u00edtulos novos por ano. N\u00e3o h\u00e1 como dar conta disso, como analisou de modo muito bem humorado e preciso o fil\u00f3sofo Gabriel Zaid em seu \u201cLivros Demais!\u201d (Summus, 2004). E mais, essa avalanche n\u00e3o cabe nos jornais e nem nas livrarias, o que remete para as dificuldades da distribui\u00e7\u00e3o de livros em geral.<br \/>\nEm segundo lugar, esse fen\u00f4meno \u00e9 mais sentido na \u00e1rea de literatura \u2013 fic\u00e7\u00e3o, poesia, ensaios \u2013 que constitui o segmento mais \u201cprestigiado\u201d (o Raul Wassermann chama de \u201clivros de charme\u201d) do mercado editorial, embora nem seja o maior. Livros did\u00e1ticos, livros t\u00e9cnico-cient\u00edficos e profissionais,  livros religiosos (de todas as confiss\u00f5es), livros de neg\u00f3cios, livros infantis e juvenis, todos s\u00e3o segmentos que t\u00eam canais de divulga\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o diferenciados do dos \u201clivros de charme\u201d (embora n\u00e3o estejam ausentes das livrarias).<br \/>\nEssa segmenta\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rias caracter\u00edsticas. Os livros did\u00e1ticos, por exemplo, passam hoje pelas avalia\u00e7\u00f5es do PNLD, feitas pelas universidades, e s\u00e3o trabalhados (divulgados e \u201cpr\u00e9-vendidos\u201d) pelos divulgadores das editoras, diretamente nas escolas particulares. O mesmo acontece com o grosso dos t\u00edtulos do segmento infantil e juvenil, tanto de literatura quanto dos chamados paradid\u00e1ticos. Os livros religiosos se divulgam e se vendem em circuitos bem pr\u00f3prios, atrav\u00e9s dos locais de culto e devo\u00e7\u00e3o das diferentes confiss\u00f5es. E o segmento de livros de neg\u00f3cios tem uma \u00e1rea muito vibrante vinculada \u00e0s palestras que seus autores fazem em empresas, congressos, eventos, etc., onde exp\u00f5em suas ideias e vendem seus livros (muitas vezes adquiridos no atacado por quem organiza as palestras, ou pelos pr\u00f3prios autores).<br \/>\nMesmo no caso dos livros de literatura, alguns autores (muito poucos, na verdade), que trabalham tamb\u00e9m como oficinistas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e procuram ativamente estar presentes nas feiras e festivais de literatura, conseguem n\u00e3o apenas divulgar como tamb\u00e9m vender diretamente seus livros nesses eventos.<br \/>\nOutro ponto que deve considerar \u00e9 o p\u00fablico a que se destina o livro. O Gabriel Zaid sustenta que cada livro tem, teoricamente, um \u201cn\u00famero ideal\u201d de leitores para os quais conhecer aquele t\u00edtulo responde a uma necessidade qualquer. O problema \u00e9 que muitas vezes esse p\u00fablico \u00e9 min\u00fasculo. No pref\u00e1cio que escrevi para o livro do Zaid (que tamb\u00e9m traduzi), digo que h\u00e1 p\u00fablico para um livro sobre minhocas transg\u00eanicas. S\u00f3 que esse p\u00fablico obviamente \u00e9 limitad\u00edssimo, e mesmo assim \u00e9 muito dif\u00edcil faz\u00ea-lo saber que existe o livro (para ele importante) sobre as benditas minhocas.<br \/>\nAs redes sociais abriram um grande espa\u00e7o para essa divulga\u00e7\u00e3o, inclusive a segmentada. Os blogs dos autores e as redes sociais contribuem para que leitores tomem conhecimento e acompanhem seus autores e livros preferidos.<br \/>\nDentro das redes sociais proliferam tamb\u00e9m os \u201cgrupos\u201d de \u201cclubes de leitores\u201d, que indicam entre si os livros que leram e gostaram ou n\u00e3o gostaram. Esses grupos tamb\u00e9m est\u00e3o crescendo muito e j\u00e1 se constituem em f\u00f3runs, onde leitores com afinidades comuns (ou nem tanto) indicam livros uns para os outros. O grande problema desses locais \u00e9 a inani\u00e7\u00e3o da maioria absoluta dos coment\u00e1rios, geralmente reduzidos ao \u201cgostei\u201d, \u201cachei mais ou menos\u201d ou \u201cn\u00e3o gostei\u201d.<br \/>\nPorque a verdade \u00e9 que as resenhas fazem falta n\u00e3o apenas pela divulga\u00e7\u00e3o. Fazem falta tamb\u00e9m pelo efeito \u201cconsagrador\u201d que um elogio feito em jornal de grande tiragem tem sobre o autor resenhado. Os livros publicados pela antiga Jos\u00e9 Olympio muitas vezes tinham, nas primeiras p\u00e1ginas, a not\u00edcia sobre a \u201cfortuna cr\u00edtica\u201d (i.e., resenhas e artigos publicados por cr\u00edticos reputados em jornais de grande circula\u00e7\u00e3o) do autor e do t\u00edtulo, coisa que desapareceu completamente. Atualmente ningu\u00e9m mais tem \u201cfortuna cr\u00edtica\u201d e, por aqui, n\u00e3o temos nem os \u201cblurbs\u201d, aqueles elogios de uma frase que as editoras americanas colocam nas capas, emitidos pelos autores mais conhecidos da casa e pelos amigos do escritor (e at\u00e9 eventualmente extra\u00eddas das resenhas publicadas), e que podem at\u00e9 provocar vendas, mas que definitivamente n\u00e3o s\u00e3o nem resenhas nem cr\u00edticas.<br \/>\nPois agora surgiu, tamb\u00e9m nos EUA, uma novidade: resenhas pagas pelo autor.<br \/>\nSim, pagas pelo autor.<br \/>\nO \u201cPublishing Perpectives\u201d do dia 18 de julho publica um artigo de Patti Thorn &#8211; http:\/\/migre.me\/5iaNF &#8211; ex-editora de livros do jornal Rocky Mountain News que fundou uma empresa dedicada especificamente a produzir resenhas pagas, principalmente de t\u00edtulos autopublicados, chamada Blue Ink Review. Diz a Patti que os resenhadores s\u00e3o todos qualificados (ela d\u00e1 a lista no site &#8211; http:\/\/migre.me\/5iaTk) e obedecem a um padr\u00e3o que ela qualifica como objetivo e justo e s\u00e3o independentes. O autor \u2013 que pagou \u2013 n\u00e3o tem conhecimento pr\u00e9vio do conte\u00fado da resenha. Se n\u00e3o gostar do que foi escrito sobre seu livro, pode solicitar que a mesma seja retirada do site, mas n\u00e3o que seja modificada. O site tem conte\u00fado editorial, an\u00fancios classificados e publica tamb\u00e9m uma lista dos livros que os editores gostaram e recomendam particularmente. Segundo ela, os resultados s\u00e3o \u00f3timos. Autores ali resenhados j\u00e1 foram contratados pelas grandes editoras e por agentes liter\u00e1rios e a lista ajuda tamb\u00e9m as bibliotec\u00e1rias a escolher acervos para aquisi\u00e7\u00e3o (l\u00e1, nos Estados Unidos, as bibliotecas compram livros regularmente).<br \/>\nVamos ver quando a moda chega no Brasil e quem se habilita a abrir um site desses. E que autores ir\u00e3o pagar para ser resenhados&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que autores, editores e leitores reclamam que o espa\u00e7o dedicado ao livro diminuiu radicalmente na imprensa escrita. Acabaram-se os cadernos liter\u00e1rios, substitu\u00eddos pelos de variedades, onde o livro ocupa um espa\u00e7o ocasional e muito menor que antes. 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