{"id":1627,"date":"2013-04-02T11:55:47","date_gmt":"2013-04-02T14:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1627"},"modified":"2013-04-02T11:55:47","modified_gmt":"2013-04-02T14:55:47","slug":"territorio-pouco-explorado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1627","title":{"rendered":"TERRIT\u00d3RIO POUCO EXPLORADO"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-02-\u00e0s-11.46.48.png\" alt=\"Captura de Tela 2013-04-02 \u00e0s 11.46.48\" width=\"853\" height=\"459\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1628\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-02-\u00e0s-11.46.48.png 853w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Captura-de-Tela-2013-04-02-\u00e0s-11.46.48-300x161.png 300w\" sizes=\"(max-width: 853px) 100vw, 853px\" \/><br \/>\nA Machado de Assis Magazine no. 3, rec\u00e9m dispon\u00edvel <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.machadodeassismagazine.bn.br\/new\/index.php');\"  href=\"http:\/\/www.machadodeassismagazine.bn.br\/new\/index.php\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.machadodeassismagazine.bn.br%2Fnew%2Findex.php','online')\" target=\"_blank\">online<\/a>, est\u00e1 dedicada a excertos de tradu\u00e7\u00e3o de livros para crian\u00e7as e jovens. S\u00e3o vinte autores brasileiros (dezessete com trechos em ingl\u00eas e tr\u00eas em espanhol), a maioria com mostras das ilustra\u00e7\u00f5es dos respectivos livros. Com a ajuda dessa publica\u00e7\u00e3o, uma iniciativa conjunta da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional e do Ita\u00fa Cultural, e da qual sou o editor, eles partem para a disputa de uma fatia do mercado internacional.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o da revista ficou dispon\u00edvel no dia da inaugura\u00e7\u00e3o da Feira de Bolonha, o principal evento internacional do segmento. Em 2014 o Brasil ser\u00e1 o pa\u00eds homenageado nessa feira e, assim como o primeiro n\u00famero da Machado de Assis Magazine se apresentou em Frankfurt antecipando em um ano a homenagem ao nosso pa\u00eds, a revista se apresenta na Feira de Bolonha como um aperitivo das a\u00e7\u00f5es que o governo, autores, ilustradores e editores far\u00e3o, no pr\u00f3ximo ano, na \u201cCidade Vermelha\u201d italiana.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA literatura para crian\u00e7as e jovens ocupa uma situa\u00e7\u00e3o peculiar no chamado \u201ccampo liter\u00e1rio\u201d. Um lugar meio de lado, com uma ambiguidade permanente.<\/p>\n<p>Tento explicar. Ainda que seja um dos segmentos economicamente mais importantes do mercado editorial \u2013 aqui e em muitos pa\u00edses \u2013 e tenha autores reconhecidos nacional e internacionalmente (para citar nossa querida Ana Maria Machado, atual presidente da ABL, e Roald Dahl, como exemplos), \u00e9 quase sempre referida como algo \u00e0 parte no campo liter\u00e1rio. Tem seus pr\u00f3prios cr\u00edticos, seu pr\u00f3prio mundo acad\u00eamico, um universo particular de refer\u00eancias. Salvo contadas exce\u00e7\u00f5es, seus autores n\u00e3o s\u00e3o incorporados ao \u201cmainstream\u201d da hist\u00f3ria liter\u00e1ria. <\/p>\n<p>Mais recentemente, entretanto, alguns fen\u00f4menos como o da s\u00e9rie do Harry Porter e outras s\u00e9ries lan\u00e7adas internacionalmente assumiram um papel de protagonistas no panorama de vendas. Mas, qual o cr\u00edtico internacional de peso que analisou os livros de J. K. Rowling? Posso estar enganado, mas s\u00f3 percebi avalia\u00e7\u00f5es (e explica\u00e7\u00f5es de como a s\u00e9rie destruiu o \u201cmito\u201d de que os livros para jovens deviam ter poucas p\u00e1ginas) que vieram essencialmente de quem analisa o mercado editorial a partir das perspectivas de venda ou dos cr\u00edticos e analistas enfronhados no segmento de livros para crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>No mercado editorial internacional \u00e9 poss\u00edvel se distinguir algumas \u201ctend\u00eancias\u201d, nas quais se misturam os empreendimentos mais puramente comerciais com trabalhos da maior qualidade.<\/p>\n<p>Os livros mais comuns s\u00e3o os que usam \u201ce abusam\u201d de contos de fadas e da reciclagem gigantesca do que \u00e9 produzido pelas f\u00e1bricas de desenhos animados dos EUA. Antigamente isso se restringia praticamente \u00e0 Disney e alguns personagens dos Looney Tunes da Warner. Paralelamente, a Marvel e outras produziam quadrinhos para adolescentes, a variad\u00edssima gama de super-her\u00f3is. Mais recentemente, outras produtoras entraram na \u00e1rea, principalmente a Pixar (que foi absorvida pela Disney). Apesar de haver aumentado um pouco a lista de fornecedores desse tipo de conte\u00fado, s\u00e3o basicamente provenientes de produtores dos EUA.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de derivados dos desenhos animados, por um lado, e dos recontos de contos de fadas, lendas mitol\u00f3gicas e outros materiais do mesmo g\u00eanero. Em grande medida s\u00e3o livros \u201cempacotados\u201d e muitas vezes impressos em gigantescas tiragens internacionais, sob v\u00e1rios selos, onde muda apenas a impress\u00e3o do \u201cpreto\u201d. Ou seja, dos textos. Livros ilustrados, baratos, e que retroalimentam as produtoras originais dos filmes. Atualmente, deles tamb\u00e9m s\u00e3o derivados games para os diferentes consoles e para tablets, laptops e computadores de mesa. Os suportes eletr\u00f4nicos est\u00e3o gerando uma quantidade significativa de e-books ditos interativos, \u00e0s vezes com links para os games e sites das editoras.  \u00c9 um segmento massacrantemente dominado pela produ\u00e7\u00e3o proveniente dos EUA, onde s\u00e3o gerados os \u201coriginais\u201d. <\/p>\n<p>Um outro segmento \u00e9 o do chamado \u02dcpara jovens adultos\u201d. \u00c9 o terreno do Harry Porter e similares. No Brasil, em compara\u00e7\u00e3o, esse seria o dos livros do Monteiro Lobato e de v\u00e1rias autores importantes, como Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, Ruth Rocha e outros. S\u00e3o livros cujo p\u00fablico alvo j\u00e1 tem o dom\u00ednio completo da leitura, e aceita textos mais longos e que nem sempre t\u00eam o suporte de ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Evidentemente essa divis\u00e3o extremamente esquem\u00e1tica n\u00e3o permite distinguir as muitas nuances de todo o segmento. <\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar, entretanto, que uma parcela muito importante e significativa da literatura para crian\u00e7as e jovens tenta escapar da vala comum do reconto de mitos que viraram \u201cuniversais\u201d a partir dessa massifica\u00e7\u00e3o comercial, e procura contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de leitores em cada pa\u00eds, trabalhando temas e modos de falar que apresentam \u00e0s crian\u00e7as e jovens a literatura a partir da realidade na qual vivem. Nem por isso deixam de tratar temas realmente universais, de modo criativo e enriquecedor. \u00c9 sempre o belo axioma tolstoiano, de falar do mundo a partir de sua aldeia.<\/p>\n<p>Essas perspectivas, peculiaridades e idiossincrasias das crian\u00e7as e jovens de cada pa\u00eds enriquecem os de outras regi\u00f5es do mundo. Esse \u00e9 o tipo de literatura para crian\u00e7as e jovens que efetivamente merece ser traduzida e difundida.<\/p>\n<p>O terceiro n\u00famero da Machado de Assis Magazine pretende tornar acess\u00edvel ao mercado editorial os textos e ilustra\u00e7\u00f5es desses autores brasileiros que podem contribuir para enriquecer e polinizar crian\u00e7as e jovens de outros pa\u00edses com a riqueza das experi\u00eancias brasileiras.<\/p>\n<p>A Machado de Assis Magazine espera ajudar que nossos autores desse segmento encontrem um espa\u00e7o maior no mercado internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Machado de Assis Magazine no. 3, rec\u00e9m dispon\u00edvel online, est\u00e1 dedicada a excertos de tradu\u00e7\u00e3o de livros para crian\u00e7as e jovens. S\u00e3o vinte autores brasileiros (dezessete com trechos em ingl\u00eas e tr\u00eas em espanhol), a maioria com mostras das ilustra\u00e7\u00f5es dos respectivos livros. 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