{"id":1517,"date":"2012-12-18T11:41:32","date_gmt":"2012-12-18T14:41:32","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1517"},"modified":"2012-12-18T11:41:32","modified_gmt":"2012-12-18T14:41:32","slug":"2012-um-ano-complicado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1517","title":{"rendered":"2012 \u2013 Um ano complicado"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Capturar.png\" alt=\"Capturar\" width=\"777\" height=\"486\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1518\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Capturar.png 777w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Capturar-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 777px) 100vw, 777px\" \/><br \/>\nEstive revisando os posts publicados aqui na PublishNews e no meu blog, <em>O Xis do Problema<\/em>, durante o ano que termina. Foi uma experi\u00eancia interessante revisar os assuntos e posi\u00e7\u00f5es tomadas neste ano, cheio de novidades e movimenta\u00e7\u00f5es no mercado editorial.<\/p>\n<p>Desde que comecei a publicar o blog, em julho de 2011, foram 185 posts, todos sobre aspectos relacionados com o mercado editorial. O <em>plugin \u201cakismet\u201d<\/em>, que protege contra spam, bloqueou nada menos que 12.054 tentativas de jogar abobrinha por ali, sintoma dessa praga que aflige a todos os internautas.<\/p>\n<p>Mas o que quero fazer aqui \u00e9 repassar brevemente alguns dos temas que chamaram minha aten\u00e7\u00e3o durante este ano que termina com amea\u00e7as apocal\u00edpticas.<\/p>\n<p>Uma das minhas preocupa\u00e7\u00f5es constantes no decorrer de 2012 foi com a qualidade e a quantidade das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o mercado editorial e as maneiras de aproveit\u00e1-las para fazer que os livros cheguem de modo mais f\u00e1cil ao leitor.<\/p>\n<p>Em um dos primeiros posts do ano, j\u00e1 no come\u00e7o de janeiro, eu perguntava se \u201cTeremos mais e melhores dados sobre as vendas em 2012?\u201d. Criticava a pesquisa da FIPE\/CBL-SNEL, que, no meu entender, rompeu com a s\u00e9rie hist\u00f3rica sem explica\u00e7\u00f5es convincentes e lan\u00e7ou sombras e d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a essa importante pesquisa  sobre a produ\u00e7\u00e3o e venda de livros no Brasil. Mas, tamb\u00e9m, especulava sobre a poss\u00edvel chegada do BookScan, da Nielsen, e do sistema da GfK de monitoramento das vendas online, com dados recolhidos diretamente dos pontos de vendas das livrarias.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEsses sistemas produzem uma quantidade impressionante de dados sobre o comportamento dos compradores de livros, sua demografia, a distribui\u00e7\u00e3o das vendas e os assuntos de interesse dos leitores\/compradores. S\u00f3 que, em diversos posts no decorrer do ano, chamei aten\u00e7\u00e3o para o fato das editoras brasileiras n\u00e3o perceberem a import\u00e2ncia dessas informa\u00e7\u00f5es, subestimarem a quest\u00e3o dos metadados, inclusive como meio de informar os leitores sobre os t\u00edtulos dispon\u00edveis. Em maio publiquei um post no qual comparava os resultados de pesquisas em sites como o da Amazon e da Barnes&#038;Noble com os sites brasileiros da Cultura e da Saraiva, que eram, e continuam sendo, um desastre total em mat\u00e9ria de facilitar informa\u00e7\u00e3o para os clientes. A GfK j\u00e1 est\u00e1 atuando, e a BookScan diz que chega logo. Oxal\u00e1! E espero que os editores comecem a usar melhor os dados.<\/p>\n<p>A Amazon e sua vinda para o Brasil, foi objeto de v\u00e1rios posts. Comecei  comentando a suposta voca\u00e7\u00e3o \u201cconsumer centric\u201d da empresa, que passou meses sem permitir que os brasileiros que tinham Windowsphone pudessem usar o app do Kindle nesses aparelhos. E agora, j\u00e1 com a loja funcionando, descobri que n\u00e3o aceitam todos os cart\u00f5es de cr\u00e9dito&#8230;<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 detalhe. A grande quest\u00e3o que envolveu a Amazon a teve como expectadora ansiosa e torcedora da a\u00e7\u00e3o que o Departamento de Justi\u00e7a dos EUA fez contra as editoras estadunidenses que adotaram o chamado sistema de agenciamento, a partir da Apple, para se contrapor \u00e0 pol\u00edtica de pre\u00e7os praticada pela gigante varejista. Boa parte dos analistas do mercado editorial considerava que a Amazon desenvolvia uma pol\u00edtica que conduzia ao estabelecimento de um monop\u00f3lio na \u00e1rea de e-books, destruindo a concorr\u00eancia que n\u00e3o tinha capacidade de acompanhar sua pol\u00edtica de pre\u00e7os artificialmente baixos em alguns t\u00edtulos. E o Departamento de Justi\u00e7a dos EUA agiu em favor da Amazon, processando as editoras. Belo exemplo de capitalismo selvagem em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado do imbr\u00f3glio, aparentemente, \u00e9 misto. Acabaram achando um modelo de \u201cagenciamento light\u201d, que limita os descontos globais, mas permite uma certa manipula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. No entanto, as editoras americanas ganharam certa capacidade de estabelecer e controlar os pre\u00e7os dos e-books.<\/p>\n<p>Em outro momento voltarei a tratar da quest\u00e3o dos pre\u00e7os dos e-books, que passou de rasp\u00e3o nos posts do ano que termina. Mas, ao que parece, as editoras brasileiras conseguiram, de algum modo, estabelecer condi\u00e7\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixam a Amazon t\u00e3o \u00e0 vontade para manipular pre\u00e7os quando se pensava.<\/p>\n<p>(De passagem, algumas consultas para compra de e-books originais dos EUA e da Inglaterra, que fiz, mostram que, em v\u00e1rios casos, os pre\u00e7os da loja da Kobo\/Cultura est\u00e3o mais baixos que os da Amazon&#8230;).<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que tomou v\u00e1rios posts foi a da reprografia, bibliotecas e direitos autorais. No dia 13 de mar\u00e7o publiquei um post sobre o assunto, chamando aten\u00e7\u00e3o para o papel que as bibliotecas, principalmente as universit\u00e1rias, poderiam ter para evitar a reprografia em papel (xerox) e a eletr\u00f4nica, as c\u00f3pias online piratas. O caminho sempre foi o de ter mais e melhores bibliotecas, que permitem o acesso gratuito aos livros. Voltei ao assunto j\u00e1 no dia 14 de mar\u00e7o, mostrando os mecanismos de licenciamento amplamente difundidos na Europa, e mesmo na Am\u00e9rica do Norte, permitindo a conviv\u00eancia do interesse dos leitores de acessarem parte dos conte\u00fados de livros e a defesa dos direitos de autores e editores.<\/p>\n<p>E houve o caso do site \u201clivros de humanas\u201d, derrubado pela ABDR \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Direitos Reprogr\u00e1ficos, entidade que foi criada para promover o licenciamento de c\u00f3pias e se transformou numa triste par\u00f3dia da RIIA, a associa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica norte-americana que vive tentando colocar gente na cadeia. O assunto foi tratado em mais tr\u00eas posts em maio, inclusive o do dia 29 de maio, \u201cN\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis, ou como Carlos Slim ganha dinheiro\u201d, depois republicado \u2013 com modifica\u00e7\u00f5es \u2013 no livro que comenta os resultados da III pesquisa <em>Retratos da Leitura no Brasil<\/em>, publicado pelo Instituto Pr\u00f3-Livro. Explicava ali, que os grandes interessados no conte\u00fado \u201cgratuito\u201d na Internet s\u00e3o os provedores de servi\u00e7o, que ganham sempre, e muitas vezes \u00e0s custas do trabalho de autores e editores.<\/p>\n<p>Terminei a s\u00e9rie com o post sobre a \u201cBiblioteca da Utopia\u201d, tratando da iniciativa de fazer uma biblioteca digital mundial, e das dificuldades pr\u00e1ticas e jur\u00eddicas para levar a cabo esse empreendimento.<\/p>\n<p>Outro assunto que ocupou v\u00e1rios posts em diferentes ocasi\u00f5es foi o impasse que parece estar surgindo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grande feiras de livros, como as Bienais do Rio e de S. Paulo. J\u00e1 em maio noticiei o inc\u00f4modo de expositores com o modelo da Feira do Livro de Madrid, quando reclamaram da falta de atividades culturais.<\/p>\n<p>A Bienal do Livro de S. Paulo transcorreu sob o signo de pol\u00eamicas. A CBL alardeando o sucesso medido no n\u00famero de visitantes. Entretanto, v\u00e1rios expositores tradicionais deixaram de comparecer e cr\u00edticas foram se avolumando. Escrevi no dia 7 de agosto um post sobre a hist\u00f3ria da Bienal e de algumas iniciativas tradicionais que foram sendo abandonadas, como o cheque-livro e a proibi\u00e7\u00e3o de estandes de saldos. No meio da feira publiquei um post com as cr\u00edticas formuladas por Jo\u00e3o Scortecci. E volta e meio surgem contraposi\u00e7\u00f5es entre os festivais liter\u00e1rios \u2013 como a FLIP &#8211; e as feiras de livro. As primeiras, caracterizadas como atividades culturais, e as \u00faltimas como empreendimentos feitos simplesmente para aumentar o faturamento dos \u201cgananciosos\u201d editores.<\/p>\n<p>Pensando em contribui\u00e7\u00f5es positivas, escrevi tr\u00eas posts sobre a Feira de Guadalajara, para a qual fui convidado a participar de uma mesa sobre o futuro das livrarias. Nos tr\u00eas posts (e mais um sobre a elei\u00e7\u00e3o do GIE \u2013 Grupo Interamericano de Editores) procurei mostrar como imagina\u00e7\u00e3o e profissionalismo faziam da feira mexicana um exemplo de solu\u00e7\u00f5es criativas para alguns dos problemas que afligem as nossas bienais: atividades profissionais e atividades com escolares. Nos dois casos, a FIL mostra como as coisas podem ser diferentes, e melhores.<\/p>\n<p>A pergunta sobre se as livrarias poder\u00e3o resistir ao avan\u00e7o da conglomera\u00e7\u00e3o e participar do mercado de livros digitais ainda ir\u00e1 merecer reflex\u00f5es. Algumas foram adiantadas no post sobre a pesquisa patrocinada pela ANL, e tamb\u00e9m nos coment\u00e1rios sobre a \u201cCarta Aberta\u201d lan\u00e7ada pela associa\u00e7\u00e3o dos livreiros, com \u201csugest\u00f5es\u201d que considero, na maior parte, in\u00f3cuas, embora bem intencionadas. Mas ainda voltarei ao assunto.<\/p>\n<p>Finalmente, quero mencionar dois posts que gostei muito de ter escrito. O primeiro, publicado no dia 26 de mar\u00e7o, \u201cSem editores o livro n\u00e3o vive, sem tradutores n\u00e3o viaja\u201d e o segundo, no dia 5 de abril, \u201cComo a pol\u00edtica e as condi\u00e7\u00f5es sociais podem atrapalhar a \u2018viagem\u2019 de uma obra\u201d.<\/p>\n<p>No primeiro tomava o exemplo do Dom Quixote para mostrar a import\u00e2ncia do trabalho editorial, que efetivamente torna acess\u00edvel, no correr dos tempos, o conte\u00fado das obras liter\u00e1rias para as novas gera\u00e7\u00f5es. O imenso e acumulativo trabalho de editores \u2013 e de seus contratados, os comentadores, elaboradores de notas, normalizadores de ortografia, capistas e ilustradores, etc. \u2013 \u00e9 que permitem que os cl\u00e1ssicos sejam lidos, a cada gera\u00e7\u00e3o, como se fossem escrito para aqueles leitores. <\/p>\n<p>Os tradutores \u2013 maiormente pagos pelos editores \u2013 tamb\u00e9m recobrem os cl\u00e1ssicos de sucessivas vers\u00f5es, apresentando-os para novos p\u00fablicos e outras culturas.<\/p>\n<p>Inversamente, certas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais dificultam a difus\u00e3o de verdadeiros cl\u00e1ssicos, que \u00e0s vezes ficam submergidos por s\u00e9culos sem ser apresentados a seus leitores. A \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o\u201d, de Fern\u00e3o Mendes Pinto, um texto fundador da prosa em l\u00edngua portuguesa, sofreu a rea\u00e7\u00e3o dos nacionalistas portugueses revoltados com as descri\u00e7\u00f5es das perip\u00e9cias nada edificantes das navega\u00e7\u00f5es, t\u00e3o louvaminhadas por Cam\u00f5es no poema \u00e9pico. Como poderia dizer, s\u00e9culos depois, o personagem de E\u00e7a, Fern\u00e3o Mendes \u00e9 fundamental porque escreveu em prosa. Afinal, falamos em prosa, n\u00e3o em versos.<\/p>\n<p>Os dois exemplos, entretanto, conduzem \u00e0 reflex\u00e3o final da import\u00e2ncia dos editores, que s\u00e3o  as pontes entre os autores e seu p\u00fablico. Sem editores, a ejacula\u00e7\u00e3o precoce da autopublica\u00e7\u00e3o se esgota t\u00e3o simplesmente na satisfa\u00e7\u00e3o narcisista de alguns, que s\u00f3 ter\u00e3o futuro quando encontrarem os profissionais que possam fazer a contento o papel de levar o conte\u00fado \u2013 seja impresso, seja em formato eletr\u00f4nico \u2013 \u00e0s m\u00e3os dos leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estive revisando os posts publicados aqui na PublishNews e no meu blog, O Xis do Problema, durante o ano que termina. Foi uma experi\u00eancia interessante revisar os assuntos e posi\u00e7\u00f5es tomadas neste ano, cheio de novidades e movimenta\u00e7\u00f5es no mercado editorial. 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