{"id":1377,"date":"2012-09-25T11:24:54","date_gmt":"2012-09-25T14:24:54","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1377"},"modified":"2012-09-25T11:24:54","modified_gmt":"2012-09-25T14:24:54","slug":"bibliotecas-publicas-estaduais-a-reforma-dos-predios-historicos-nao-basta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1377","title":{"rendered":"Bibliotecas P\u00fablicas Estaduais \u2013 a reforma dos pr\u00e9dios hist\u00f3ricos n\u00e3o basta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=1378\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D1378','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-1378\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Capturar2.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"848\" height=\"475\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1378\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Capturar2.jpg 848w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Capturar2-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estive em Manaus h\u00e1 alguns dias para assistir \u00e0 estreia de \u201cIsabel do Brasil\u201d, mon\u00f3logo da Maria Jos\u00e9 Silveira, encenado pelo TESC \u2013 Teatro Experimental do SESC, com Carla Menezes como a Princesa Isabel e dire\u00e7\u00e3o do M\u00e1rcio Souza.<\/p>\n<p>Ficamos hospedados em um hotel do centro, perto de onde morei na inf\u00e2ncia e juventude, e bem em frante da Biblioteca P\u00fablica do Amazonas. <\/p>\n<p>O pr\u00e9dio da Biblioteca est\u00e1 fechado j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. Foi restaurado e quando a inaugura\u00e7\u00e3o estava marcada o IPHAN vetou a entrega da obra porque o telhado n\u00e3o havia sido reformado com telhas id\u00eanticas \u00e0s originais.<\/p>\n<p>O atraso na inagura\u00e7\u00e3o gerou protestos, organizados por bibliotec\u00e1rios, que abra\u00e7aram o pr\u00e9dio, em protesto por uma reforma que j\u00e1 demorava tanto tempo. Quando fui a Manaus tinha em mente essa informa\u00e7\u00e3o e concordava que era inconceb\u00edvel uma reforma durar tanto tempo. Rob\u00e9rio Braga, que \u00e9 o Secret\u00e1rio de Cultura do Estado, consegue fundos para o Festival de \u00d3pera, fez interven\u00e7\u00f5es importantes no patrim\u00f4nio urban\u00edstico do centro da cidade, em particular da Pra\u00e7a S\u00e3o Sebasti\u00e3o (onde est\u00e1 o Teatro Amazonas). Conhe\u00e7o-o h\u00e1 muito e j\u00e1 lhe disse que lamentava que n\u00e3o desse ao livro e \u00e0 leitura a aten\u00e7\u00e3o que dedica \u00e0 m\u00fasica, \u00e0s artes c\u00eanicas e ao patrim\u00f4nio urbano, embora exista um projeto grande de digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos e acervos bibliogr\u00e1ficos em curso, com equipamentos modernos. Estava, portanto, ressabiado quanto a essa hist\u00f3ria da Biblioteca P\u00fablica.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Em Manaus que procurei me informar melhor e soube da hist\u00f3ria da interven\u00e7\u00e3o do IPHAN. Bom, acabaram achando umas formas em uma antiga olaria e come\u00e7aram a fazer as benditas telhas segundo o modelo original. Mas, como s\u00e3o poucas formas, o processo \u00e9 lento. <\/p>\n<p>Acho fundamental a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico p\u00fablico, sem d\u00favida nenhuma. J\u00e1 escrevi que tenho minhas d\u00favidas sobre a preserva\u00e7\u00e3o de casar\u00f5es das oligarquias d\u2019antanho e considero criminosa a atitude da Igreja Cat\u00f3lica, exigindo a restaura\u00e7\u00e3o do seu patrim\u00f4nio sacro e o deixando deteriorar novamente, descuidando da manuten\u00e7\u00e3o. O caso mais recente foi a da Catedral de Piren\u00f3polis (Goi\u00e1s), que incendiou por conta da fia\u00e7\u00e3o cheia de gambiarras que os padres instalaram sem cuidados.<\/p>\n<p>Mas tenho d\u00favidas se a reinaugura\u00e7\u00e3o e a coloca\u00e7\u00e3o em uso de um pr\u00e9dio como a Biblioteca P\u00fablica deva se atrasar por conta das telhas. Mas, enfim, essa \u00e9 outra discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>O que quero tratar aqui \u2013 e a Biblioteca P\u00fablica do Amazonas \u00e9 um pretexto \u2013 \u00e9 dessas bibliotecas p\u00fablicas monumentais que existem  em praticamente todas as capitais.<\/p>\n<p>A do Amazonas foi inaugurada em 1870, na sala de um col\u00e9gio. O edif\u00edcio hoje tombado foi inaugurado em 1910 e, como todos os pr\u00e9dios do ciclo da borracha, teve escadirias, lustres e outros materiais importados da Inglaterra e adjac\u00eancias. O acervo original, segundo conta, tinha uma quantidade significativa de obras raras, que se perderam em um inc\u00eandio em 1945.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o se repete pelo Brasil afora. As bibliotecas foram instaladas em pr\u00e9dios mais ou menos monumentais, boa parte dos quais continua em p\u00e9. Algumas sofreram inc\u00eandios ou alagamentos, outras foram instaladas em pr\u00e9dios novos e quase todas passaram por per\u00edodos mais ou menos longos de descaso e hoje, formalmente, s\u00e3o consideradas como \u201ccabe\u00e7as\u201d dos sistemas estaduais de bibliotecas p\u00fablicas. Na verdade, pouco fazem al\u00e9m de repassar materiais enviados pela Biblioteca Nacional ou pelo Minist\u00e9rio da Cultura (parte dos livros editados com o benef\u00edcio da Lei Rouanet acabam nessas bibliotecas).<\/p>\n<p>Na minha juventude manauara, o pr\u00e9dio da Biblioteca P\u00fablica servia para muitas atividades culturais. Durante algum tempo ali eram feitas as sess\u00f5es do GEC \u2013 Grupo de Estudos Cinematogr\u00e1ficos, fundado pelo Cosme Alves Neto, o grande conservador da Cinemateca do MAM do Rio de Janeiro, e que mant\u00ednhamos em funcionamento. Durante uma \u00e9poca tamb\u00e9m funcionava, no t\u00e9rreo, a Pinacoteca do Estado.<\/p>\n<p>No por\u00e3o havia uma enorme cole\u00e7\u00e3o de jornais da \u00e9poca do ciclo da borracha, digitalizados agora no Museu dos Povos da Amaz\u00f4nia, pelo menos em parte. Uma pequena se\u00e7\u00e3o em Braille foi instalada depois, e nos anos 1990 tinha at\u00e9 leitura digital com um dos primeiros programas (ainda em DOS) de transformar texto em voz nos computadores.<\/p>\n<p>Em suma, dentro da precariedade que era Manaus nos anos 1960 e 1970, a Biblioteca at\u00e9 que funcionava com atividades interessantes, cineclube, confer\u00eancias, etc. <\/p>\n<p>Mas livros, mesmo, eram muito poucos. <\/p>\n<p>Em uma palavra, era um local onde os jovens da elite da cidade que tinham algum interesse cultural se reuniam, e desenvolviam algumas a\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Na verdade, essas atividades na Biblioteca P\u00fablica do Estado eram a continuidade perfeita da ideia de biblioteca destinada \u00e0s elites pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais da provinciana cidade de pouco mais de 250.000 habitantes que era a Manaus da \u00e9poca, e que vinha desde o Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>E nisso essa biblioteca era similar \u00e0s outras tantas bibliotecas estaduais dos outros estados. Haviam sido constru\u00eddas n\u00e3o como um local de difus\u00e3o da leitura, de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao livro, e sim como um local que mostrava o lustro das elites locais. Lustro esse que se revestia de um lado patrimonialista evidente. N\u00e3o \u00e0 toa o acervo era de \u201cobras raras\u201d \u2013 e provavelmente jamais abertas. Enfim, um monumento.<\/p>\n<p>Felizmente o conceito e o uso das bibliotecas mudaram muito nesse s\u00e9culo e meio. A rejei\u00e7\u00e3o da caracteriza\u00e7\u00e3o das bibliotecas como \u201cdep\u00f3sitos de livros\u201d \u2013 salvo, \u00e9 claro, as dedicadas especificamente ao fim de preserva\u00e7\u00e3o do acervo bibliogr\u00e1fico \u2013 se consolida cada vez mais.<\/p>\n<p>Mas essas bibliotecas estaduais \u201chist\u00f3ricas\u201d permanecem, em muitos casos, numa esp\u00e9cie de limbo. Algumas continuam com uma fun\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o de acervos \u2013 principalmente da produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica local \u2013 e formalmente incumbidas da tarefa de gest\u00e3o de um sistema de bibliotecas p\u00fablicas. <\/p>\n<p>A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o problema. O sistema s\u00f3 existe, de fato, no papel. Sua articula\u00e7\u00e3o, a partir da Biblioteca Nacional, \u00e9 extremamente prec\u00e1ria. N\u00e3o existe um sistema de informa\u00e7\u00f5es condigno, e muito menos empr\u00e9stimos interbibliotecas que supram defici\u00eancias espec\u00edficas. <\/p>\n<p>A quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o se resume \u00e0s exig\u00eancias do IPHAN para que os pr\u00e9dios sejam reformados. O xis do problema, na verdade, mais que reformar, \u00e9 de construir um sistema de bibliotecas p\u00fablicas que permita aos cidad\u00e3os usar da forma mais proveitosa esses locais de cultura e informa\u00e7\u00e3o. Que nelas funcionem tamb\u00e9m cineclubes e que sejam locais de exposi\u00e7\u00e3o, de encontros de jovens para conversar sobre seus problemas, seus anseios \u2013 n\u00e3o apenas culturais \u2013 e, sobretudo, que n\u00e3o sejam os locais da elite, e sim acess\u00edveis e usados por toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 que a reforma f\u00edsica da Biblioteca P\u00fablica do Estado do Amazonas seja t\u00e3o somente o \u00ednicio da constru\u00e7\u00e3o de um sistema de bibliotecas para o estado, com constru\u00e7\u00f5es modernas recheadas de acervos significativos, de livros, de filmes, com os mais variados meios de acesso ao conhecimento e lazer. E que tamb\u00e9m venha a ser uma futura preocupa\u00e7\u00e3o do IPHAN, daqui a cem anos, preservar os edif\u00edcios que abrigam isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estive em Manaus h\u00e1 alguns dias para assistir \u00e0 estreia de \u201cIsabel do Brasil\u201d, mon\u00f3logo da Maria Jos\u00e9 Silveira, encenado pelo TESC \u2013 Teatro Experimental do SESC, com Carla Menezes como a Princesa Isabel e dire\u00e7\u00e3o do M\u00e1rcio Souza. 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