{"id":1308,"date":"2012-08-21T12:56:11","date_gmt":"2012-08-21T15:56:11","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1308"},"modified":"2012-08-22T18:04:07","modified_gmt":"2012-08-22T21:04:07","slug":"a-bienal-internacional-do-livro-de-s-paulo-pelo-retrovisor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1308","title":{"rendered":"A Bienal Internacional do Livro de S. Paulo \u2013 pelo retrovisor"},"content":{"rendered":"<p>A 22\u00aa. Bienal Internacional do Livro de S. Paulo terminou domingo, com a CBL divulgando, mais uma vez, n\u00fameros significativos: mais de 750.000 visitantes, dos quais 120 mil estudantes vindos da capital e do interior, e que receberam vales para compra de livros em um total de R$ 750.000,00, inclu\u00eddo nessa soma os vales para professores.<\/p>\n<p>A profus\u00e3o de lan\u00e7amentos anunciados e atividades manteve o padr\u00e3o superlativo desse tipo de eventos. Eu mesmo acabei participando de cinco mesas no espa\u00e7o Livros &#038; Cia., organizado com a curadoria do  editor e jornalista Quartim de Moraes: no painel de autores do livro \u201cRetratos da Leitura no Brasil 3\u201d, organizado por Zoara Falla, e para o qual escrevi um dos ensaios; na mesa redonda \u201cDilemas e Conflitos do Mercado Editorial\u201d, com Breno Lerner e Isa Pessoa (mediada pelo Quartim), e fui mediador em mais tr\u00eas mesas: \u201cOs Bastidores dos Pr\u00eamios Liter\u00e1rios\u201d, com Selma Caetano, Jos\u00e9 Luis Goldfard e Adriana Ferrari; \u201cA Experi\u00eancia da auto-publica\u00e7\u00e3o\u201d, com o escritor Eduardo Spohr, e na mesa de encerramento, \u201cA Literatura Brasileira Pede Passagem\u201d, com o pr\u00f3prio Quartim, Manuel da Costa Pinto e Jorge da Cunha Lima. Todas por convoca\u00e7\u00e3o do meu amigo Quartim e todas com o fabuloso pagamento de R$ 0,00. Tudo por amor ao livro, e para contribuir com a Bienal.<\/p>\n<p>Destaco tamb\u00e9m o conjunto de mesas organizadas nos dois primeiros dias pelo Carlo Carrenho, e que trataram das quest\u00f5es do livro eletr\u00f4nico e do ingresso do mercado editorial no mundo digital. Teve gente muito importante, como Russ Grandinetti, VP da Amazon, que aproveitou uma visita ao Brasil para louvar a empresa, oferecendo belos gr\u00e1ficos e nenhum dado concreto, mas derramando simpatia. E outros expositores que mostraram bem a integra\u00e7\u00e3o do Carrenho com o mundo da edi\u00e7\u00e3o digital, com exposi\u00e7\u00f5es dignas de presen\u00e7a em um evento mais estruturado, como o Congresso do Livro Digital.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nNa \u00faltima mesa em que participei, Manuel da Costa Pinto fez uma observa\u00e7\u00e3o correta, e que sempre foi uma das grandes bandeiras das bienais e outras grandes feiras. A de que uma parcela significativa dos que estavam ali era integrada, evidentemente, por pessoas que n\u00e3o estavam habituadas a frequentar livrarias. E, mais ainda, que se sentiam exclu\u00eddas do ritual de entrar em uma delas.<\/p>\n<p>Concordo inteiramente com a observa\u00e7\u00e3o do Manuel da Costa Pinto. Uma das constata\u00e7\u00f5es das pesquisas que eram feitas (pelo menos at\u00e9 2002, n\u00e3o sei se continuam fazendo), entre os frequentadores da Bienal, mostravam precisamente isso. Mostravam tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de \u201cdeslocamento geogr\u00e1fico\u201d, segundo as mudan\u00e7as na localiza\u00e7\u00e3o do evento. No Center Norte, constat\u00e1vamos uma presen\u00e7a significativa de visitantes vindos de Guarulhos, da Zona Leste e da Zona Oeste da cidade. No Pavilh\u00e3o da Imigrantes, os visitantes se originavam mais da Zona Sul da cidade e da regi\u00e3o do ABC.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 evidente que a Bienal n\u00e3o atrai homogeneamente visitantes de todas as regi\u00f5es da megal\u00f3pole. \u00c9 um dos problemas da cidade. Uma pessoa pode levar duas horas (ou muito mais, dependendo da hora e do tr\u00e2nsito), da Zona Zul, Interlagos e Santo Amaro, por exemplo, para chegar ao Anhembi. E vice-versa, caso o evento aconte\u00e7a no Pavilh\u00e3o Imigrantes.<\/p>\n<p>Mas a multid\u00e3o de visitantes permite outras duas observa\u00e7\u00f5es. Nos dias de semana, de segunda \u00e0 sexta-feira e durante o dia, quem deseja visitar a Bienal para examinar livros com cuidado, \u00e9 espantado e afugentado pela multid\u00e3o de escolares. Muito bem. A visita de escolares \u00e9 um dos pontos positivos da Bienal. Bem ou mal, colocam as crian\u00e7as em contato com o mundo dos livros, em uma propor\u00e7\u00e3o muito mais ampla que encontrada nas (poucas) bibliotecas escolares, ou em rela\u00e7\u00e3o aos livros enviados pelo MEC. Mas os adultos fogem de l\u00e1, apavorados.<\/p>\n<p>A segunda observa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais complicada. A multid\u00e3o de visitantes passeia entre os estandes, mas os grupos \u2013 na maioria familiares \u2013 raramente portam sacolas com livros. E, quando o fazem, s\u00e3o as com os logotipos dos estandes de saldos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 outra grande mudan\u00e7a que vem acontecendo nas \u00faltimas Bienais. Houve \u00e9poca em que a presen\u00e7a de estandes com venda de saldos e pontas n\u00e3o era permitida. A Bienal era concebida como lugar para que as editoras mostrassem o conjunto de sua produ\u00e7\u00e3o, e os descontos se tranformavam em cheque-livro para ser usados nas livrarias.<\/p>\n<p>Sou absolutamente favor\u00e1vel a que se descubram mais caminhos para que esses saldos de livros encontrem meios de circular. Existe uma bela quantidade de exemplares de muitos e importantes t\u00edtulos que esgotaram as condi\u00e7\u00f5es de estarem presente nas livrarias e que merecem nova chance de circular. O mercado de \u201cremainders\u201d \u00e9 importante. Existem mais de vinte feiras internacionais dedicadas ao neg\u00f3cio (mas s\u00e3o feiras de neg\u00f3cios, com a presen\u00e7a de atacadistas) e mesmo em Frankfurt h\u00e1 um pavilh\u00e3o onde se abrigam esses livreiros. <\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que a Bienal Internacional do Livro de S. Paulo \u00e9 um local adequado para isso?<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe a mim responder a essa pergunta. \u00c9 assunto para os donos da feira.<\/p>\n<p>Essa \u00faltima Bienal trouxe para mim, macaco velho desses eventos, uma novidade: o aumento das reclama\u00e7\u00f5es sussuradas pelos corredores e que, pela primeira vez, tiveram uma express\u00e3o p\u00fablica. O artigo de <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/amQrY');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/amQrY\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2FamQrY','Raul+Wassermann')\" target=\"_blank\">Raul Wassermann<\/a> na Folha de S. Paulo, no domingo anterior \u00e0 abertura, dia 5, e a carta do <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/amQud');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/amQud\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2FamQud','Jo%C3%A3o+Scortecci')\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Scortecci<\/a> por volta da metade da feira. A Folha de S. Paulo, na edi\u00e7\u00e3o da Ilustrada do dia 9, publica ampla mat\u00e9ria com expositores e autores, com cr\u00edticas e elogios ao evento.<\/p>\n<p>Os dois editores \u2013 um ex-presidente da CBL e outro ex-diretor da entidade \u2013 expressam cr\u00edticas quanto ao formato e os custos da Bienal, al\u00e9m da perda de algumas de suas caracter\u00edsticas originais.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou comentar nem dar palpites sobre as solu\u00e7\u00f5es propostas por Jo\u00e3o Scortecci. J\u00e1 escrevi minhas observa\u00e7\u00f5es sobre o modelo da Bienal aqui no PublishNews e em meu <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1278\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1278','blog')\" target=\"_blank\">blog<\/a>. O importante na carta do Jo\u00e3o Scortecci \u00e9 que ele ultrapassa o n\u00edvel das reclama\u00e7\u00f5es e apresenta propostas bem concretas para reformula\u00e7\u00e3o das bienais.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante assinalar ainda mais alguns aspectos.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a do abandono do p\u00fablico que busca mais literatura e livros t\u00e9cnico-cient\u00edficos. Nem quero alegar ter um c\u00edrculo muito extenso de amigos, mas dos que tenho, na \u00e1rea de literatura, nenhum foi \u00e0 Bienal. As desculpas variavam, mas o tom geral era o mesmo: n\u00e3o se interessavam mais pelo evento.<\/p>\n<p>E isso se expressa na aus\u00eancia de v\u00e1rias editoras que t\u00eam peso na \u00e1rea, como a Iluminuras, a Cosac Naify, a M.Books e a Summus. E mesmo a livraria de um dos diretores da CBL, a Letraviva, que representa livros em espanhol, n\u00e3o estava presente no evento. Outras aus\u00eancias significativas aconteceram na \u00e1rea de did\u00e1ticos, com o n\u00e3o comparecimento da Positivo, entre outras do setor que nunca participaram do evento.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno da perda do \u201ccharme\u201d da Bienal \u00e9 mote desde que o evento saiu do Ibirapuera, e foi se agravando. O problema \u00e9 que esse p\u00fablico foi substitu\u00eddo por aquele mencionado por Manuel da Costa Pinto. Ora, o acr\u00e9scimo desse contingente, altamente positivo, n\u00e3o poderia acontecer sem perda do p\u00fablico anterior?<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a geogr\u00e1fica da origem dos visitantes apresenta um problema espec\u00edfico a ser resolvido. Haver\u00e1 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para que moradores de todas as regi\u00f5es da cidade possam participar do evento?<\/p>\n<p>S\u00e3o outras perguntas para os donos da feira.<\/p>\n<p>Os custos e dificuldades operacionais do Pavilh\u00e3o do Anhembi s\u00e3o objeto de constantes queixas. V\u00e3o desde o pre\u00e7o do estacionamento, de R$ 30,00, sem direito a retorno, que acresce um custo significativo para pequenas editoras, &#8211; cujos donos n\u00e3o se beneficiam do \u201cEspa\u00e7o Premiun\u201d que proporciona um estacionamento gratuito por outro port\u00e3o -, at\u00e9 as condi\u00e7\u00f5es dos banheiros, as interrup\u00e7\u00f5es de energia e a falta de controle nas atividades barulhentas, que perturbam a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria e o funcionamento da feira. Teve at\u00e9 charanga&#8230;<\/p>\n<p>Considero importante que a CBL assuma a condu\u00e7\u00e3o dessa discuss\u00e3o, de forma consequente. A resposta que a institui\u00e7\u00e3o deu \u00e0 carta do Jo\u00e3o Scortecci, em um n\u00famero especial do CBL Informa, considero como um bom exemplo do que n\u00e3o se deve fazer. A pura e simples rejei\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o e a alega\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 bem pode ser muito divertida na boca do Dr. Pangloss, aquele que diz que \u201ctudo vai bem no melhor dos mundos poss\u00edveis\u201d, mas termina com o terremoto de Lisboa e Voltaire mandando C\u00e2ndido cuidar do seu jardim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 22\u00aa. Bienal Internacional do Livro de S. 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