{"id":1278,"date":"2012-08-07T00:20:59","date_gmt":"2012-08-07T03:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1278"},"modified":"2012-08-07T00:31:30","modified_gmt":"2012-08-07T03:31:30","slug":"bienal-do-livro-de-sao-paulo-2012-de-onde-veio-para-onde-vai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1278","title":{"rendered":"BIENAL DO LIVRO DE S\u00c3O PAULO 2012 \u2013 DE ONDE VEIO, PARA ONDE VAI?"},"content":{"rendered":"<p>Inaugura-se esta semana mais uma Bienal Internacional do Livro de S. Paulo, no Pavilh\u00e3o do Anhembi. Participo das Bienais do Livro desde os anos 1980, como visitante, expositor e, a certas alturas, como membro da organiza\u00e7\u00e3o. Desde 2004 voltei a ser apenas visitante.<\/p>\n<p>Como a Bienal do Livro \u00e9 um evento de grande import\u00e2ncia, quero aproveitar a oportunidade para comentar alguns dos problemas, sintomas que v\u00eam sendo sentidos desde pelo menos o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. E que, aparentemente, v\u00eam se agravando.<br \/>\nEste ano j\u00e1 se podem fazer algumas constata\u00e7\u00f5es. Desist\u00eancias de participa\u00e7\u00f5es \u2013 algumas simb\u00f3licas e outras de peso \u2013, uma programa\u00e7\u00e3o divulgada com atraso e sem nomes internacionais de peso, reclama\u00e7\u00f5es sobre o pre\u00e7o dos estandes (ra\u00edz de algumas desist\u00eancias). Por outro lado, a CBL, detentora da Bienal e a Reed Exhibitions Alc\u00e2ntara Machado, a organizadora, informam que a \u00e1rea do evento aumentou e que o <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/aaPOK');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/aaPOK\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2FaaPOK','aumento+real')\" target=\"_blank\">aumento real<\/a> no custo do metro quadrado de estandes foi \u201capenas\u201d 6,81 %, considerando-se os aumentos havidos de 2008 a 2012. Na \u00e9poca da infla\u00e7\u00e3o esse era um \u00edndice baixo. Hoje&#8230;<\/p>\n<p>Mas, antes de comentar isso, volvemos \u00e0 origens.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA primeira proposta de Feira do Livro feita pela CBL data de 1951. Era uma feira de rua, na pra\u00e7a de Rep\u00fablica, semelhante \u00e0s que at\u00e9 hoje acontecem no Rio de Janeiro, com barraquinhas dos participantes. Em 1961, em conjunto com o MASP, foi organizada a 1\u00aa Bienal Internacional do Livro e das Artes Gr\u00e1ficas, repetida em 1963 e 1965. O MASP ainda funcionava na Sete de Abril, no centro.<\/p>\n<p>A Bienal Internacional do Livro nasceu em 1970, no Pavilh\u00e3o da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Os veteranos que participaram dessa primeira iniciativa, que esta semana chega \u00e0 sua 22\u00aa. edi\u00e7\u00e3o, lembram que tiveram de por as m\u00e3os na massa, montar estandes com t\u00e1buas, de forma quase amadoristica. Depois chegaram as montadoras, os estandes com a tecnologia dos moldes e, em 1996, o evento se tranferiu para o ExpoCenter Norte. <\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a j\u00e1 provocou pol\u00eamica, com reclama\u00e7\u00f5es de que a sa\u00edda de um espa\u00e7o \u201cnobre\u201d como o Pavilh\u00e3o da Bienal descaracterizava o evento.  A verdade \u00e9 que o \u201ccaminho de rato\u201d obrigatoriamente  exigido pelas caracter\u00edsticas do Pavilh\u00e3o da Bienal provocava reclama\u00e7\u00f5es dos expositores e de muitos visitantes, espremidos nos corredores estreitos.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que, enquanto esteve no Ibirapuera, a Bienal do livro foi tamb\u00e9m um dos palcos de resist\u00eancia \u00e0 censura e encontros com escritores, que eram muito incomuns na \u00e9poca. E, sobretudo, a Bienal proporcionava o momento em que os leitores, tanto de livros de fic\u00e7\u00e3o quanto de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, tinham oportunidade de ver de perto a multiplicidade dos lan\u00e7amentos que \u00e0s vezes n\u00e3o chegam a todas as livrarias ou por ali passam rapidamente.<\/p>\n<p>A CBL, organizadora do evento, \u00e9 uma entidade que re\u00fane editores, distribuidores e livreiros. Estes \u00faltimos sempre viram com muita desconfian\u00e7a o evento, alegando que retirava compradores das livrarias. A solu\u00e7\u00e3o encontrada desde as primeiras edi\u00e7\u00f5es da Bienal era o \u201ccheque-livro\u201d. Este era simplesmente um vale de desconto, equivalente a 10% do valor da compra, e que s\u00f3 podia ser usado nas livrarias fora da Bienal. Assim, os livreiros se beneficiavam com pelo menos 10% da movimenta\u00e7\u00e3o financeira do evento. Ali\u00e1s, era formalmente proibido aos expositores que dessem descontos. Dessa forma, a presen\u00e7a das livrarias no evento, reduzida, quando existia era focada em parcerias com editoras. Assim, a Saraiva exibia primordialmente os livros da Editora Saraiva, a antiga Nobel, que era distribuidora, os livros de suas distribu\u00eddas, e assim por diante.<\/p>\n<p>Era o esp\u00edrito de promover o conjunto da cadeia editorial: editoras, distribuidoras e livrarias.<\/p>\n<p>Com a transfer\u00eancia para o Center Norte esse esquema come\u00e7ou a sofrer abalos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, verificou-se uma mudan\u00e7a no p\u00fablico que frequentava a Bienal. Enquanto no Ibirapuera o p\u00fablico era majoritariamente de classe m\u00e9dia intelectualizada, o que passou a frequentar a Bienal no Center Norte tinha um forte componente de outros segmentos da popula\u00e7\u00e3o, como mostravam as pesquisas qualitativas e quantitativas feitas durante o evento.<\/p>\n<p>A melhoria do espa\u00e7o f\u00edsico permitiu tamb\u00e9m um esfor\u00e7o crescentemente maior para atrair os alunos do ensino b\u00e1sico. As visitas escolares j\u00e1 existiam no Ibirapuera, mas o espa\u00e7o ex\u00edguo limitava o seu n\u00famero e os col\u00e9gios que a visitavam eram principalmente os de ensino pago, da classe m\u00e9dia. No Center Norte essa rela\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar, com o aumento da presen\u00e7a da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Dessa maneira, o ambiente supostamente mais intelectualizado do Ibirapuera foi substitu\u00eddo por um p\u00fablico que procurava mais editoras religiosas, livros infantis, etc. As reclama\u00e7\u00f5es sobre a \u201ccara de feir\u00e3o\u201d, esvaziamento do \u201ccharme\u201d do Ibirapuera e coisa do estilo come\u00e7aram a\u00ed.<\/p>\n<p>At\u00e9 1998, a Bienal do livro tinha um conjunto de atividades chamadas de \u201cEventos Paralelos\u201d, que inclu\u00edam principalmente a\u00e7\u00f5es junto aos professores e algumas palestras.<\/p>\n<p>Em 1999, a CBL tomou uma iniciativa que se revelou pol\u00eamica. A diretoria da entidade considerou que havia espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o de uma feira anual, em per\u00edodo diferente da Bienal do Livro. Note-se que a Bienal do Livro do Rio de Janeiro acontecia normalmente em agosto\/setembro dos anos \u00edmpares, e a de S\u00e3o Paulo na mesma \u00e9poca nos anos pares. A Diretoria da CBL resolveu promover naquele ano um Sal\u00e3o do Livro, que aconteceria nos anos \u00edmpares, no primeiro semestre, para evitar coincid\u00eancia com o evento carioca.<\/p>\n<p>O SNEL, que promove a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, rejeitou a ideia, e de modo bem agressivo. Transferiu sua Bienal de agosto para abril, para coincidir com o Sal\u00e3o do Livro paulista.<\/p>\n<p>Mas os dois eventos apresentaram uma novidade. A CBL anunciou que os \u201ceventos paralelos\u201d seriam ampliados e agrupados em um Sal\u00e3o de Ideias, com presen\u00e7a de autores de v\u00e1rias \u00e1reas, e em conversas tem\u00e1ticas. Imediatamente os cariocas declararam que a Bienal do Rio de Janeiro teria um Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, com as mesmas finalidades.<\/p>\n<p>No frigir dos ovos, essa disputa meio idiota resultou num upgrade para as duas feiras, com uma \u00eanfase muito maior nos eventos liter\u00e1rios, convidando-se autores internacionais e nacionais de prest\u00edgio.<\/p>\n<p>No que toca ao evento paulista, de cuja organiza\u00e7\u00e3o na \u00e9poca eu fazia parte, a sele\u00e7\u00e3o dos autores convidados obedecia a sugest\u00f5es das editorasinteressadas, indica\u00e7\u00f5es de intelectuais e mesmo de outros editores. E a viagem era feita sempre em parceria: a CBL pagava a passagem \u2013 nacional ou internacional \u2013 e as editoras pagavam os custos de hospedagem e o que mais seus autores acordassem com as mesmas. Os autores que vinham para a Bienal normalmente viajavam para outras cidades, maximizando o esfor\u00e7o conjunto da CBL e dos expositores.<\/p>\n<p>Na virada do mil\u00eanio, a Diretoria da CBL, na administra\u00e7\u00e3o Raul Wassermann, criou uma \u201cComiss\u00e3o Repensando a Bienal\u201d, para estudar e propor eventuais modifica\u00e7\u00f5es no formato.  J\u00e1 havia uma certa sensa\u00e7\u00e3o de \u201cmalaise\u201d no ar, de que o modelo come\u00e7ava a se esgotar: reclama\u00e7\u00f5es sobre os custos do evento e, principalmente, sobre o n\u00e3o retorno esperado do investimento feito pelos expositores. Essa Comiss\u00e3o, entretanto, n\u00e3o chegou a apresentar propostas espec\u00edficas de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar tr\u00eas coisas, v\u00e1lidas principalmente para a Bienal do Livro de S. Paulo, e sob alguns aspectos, tamb\u00e9m na do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>A primeira  \u00e9 a de que o evento sempre foi considerado principalmente por seu valor promocional. Promo\u00e7\u00e3o da leitura, promo\u00e7\u00e3o do livro em geral, promo\u00e7\u00e3o de autores e promo\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo das editoras. A expectativa de que os visitantes encontrassem ali um panorama geral do cat\u00e1logo de cada um dos expositores sempre foi um fator muito presente, e objeto tamb\u00e9m de cuidadosos estudos para a elabora\u00e7\u00e3o do lay-out da feira, de modo a mesclar estandes grandes e pequenos.<\/p>\n<p>O segundo aspecto \u00e9 de que as bienais \u2013 tanto a de S. Paulo quanto a do Rio de Janeiro \u2013 s\u00e3o um importante componente do or\u00e7amento para que as duas entidades \u2013 CBL e SNEL \u2013 contem com recursos para suas atividades de promo\u00e7\u00e3o, defesa dos interesses dos associados, apoio a outras feiras e participa\u00e7\u00e3o em organismos internacionais \u2013 IPA, GIE, por exemplo \u2013 e atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s esferas governamentais, etc. <\/p>\n<p>O terceiro aspecto era o esfor\u00e7o para efetivamente integrar o conjunto da cadeia produtiva e criativa do livro no evento. Da\u00ed o \u201ccheque-livro\u201d, a proibi\u00e7\u00e3o de descontos e o Sal\u00e3o de Ideias.<\/p>\n<p>Como todos sabemos, nos \u00faltimos quinze anos as transforma\u00e7\u00f5es foram aceleradas no mercado editorial e, digamos assim, no \u201cambiente liter\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo caso, o surgimento de uma quantidade expressiva de eventos puramente liter\u00e1rios foi enorme. Hoje temos n\u00e3o apenas a FLIP, como tamb\u00e9m um n\u00famero bem grande de outros eventos do mesmo g\u00eanero ou parecidos, em quase todos os estados. O contato autor\/leitor se tornou muito mais fluido e permanente. Em alguns casos, os eventos s\u00e3o t\u00e3o somente festivais, sem o car\u00e1ter de feira. Em outros, verifica-se uma exitosa combina\u00e7\u00e3o das duas coisas: venda de livros no formato de estandes de editoras e livrarias, e programa\u00e7\u00e3o com os autores.<\/p>\n<p>No caso particular de S. Paulo, a prolifera\u00e7\u00e3o de lugares e momentos para esse encontro entre leitores e autores se multiplicou. Institui\u00e7\u00f5es como o SESC aumentam cada vez mais sua presen\u00e7a. As grandes livrarias disp\u00f5em de audit\u00f3rios para que os lan\u00e7amentos n\u00e3o sejam apenas em torno da venda de livros, e sim momentos de debate. Al\u00e9m disso, existe cada vez mais programa\u00e7\u00e3o de eventos nesses audit\u00f3rios. Institui\u00e7\u00f5es como a Casa do Saber, Escola S. Paulo e outras, oferecem continuadamente uma programa\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel e sobre uma multiplicidade de temas, gerando um fluxo constante de oferta de possibilidades de discuss\u00f5es e debates intelectuais. O surgimento e o aumento de oficinas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria propicia tamb\u00e9m outro f\u00f3rum para as discuss\u00f5es liter\u00e1rias. Dessa maneira, aquele momento focal que eram as bienais foram, de certa forma, ultrapassados por essa imensa oferta.<\/p>\n<p>Algumas modifica\u00e7\u00f5es na estrutura das feiras tamb\u00e9m foram muito importantes, e nem sempre, no meu entender, no bom sentido.<\/p>\n<p>Destaco quest\u00f5es importantes. O cancelamento do sistema de cheque-livro retirou as livrarias, especialmente as menores, da movimenta\u00e7\u00e3o financeira das bienais. As grandes redes ficaram com duas alternativas, que utilizam amplamente: constroem grandes estandes nas feiras e desenvolvem um trabalho espec\u00edfico de relacionamento e marketing com seus clientes em todas suas lojas. Assim, por exemplo, a Livraria Cultura deixou de participar h\u00e1 muito das bienais, enquanto a Saraiva tranformous seu estande em uma \u201cmini\u201d megastore.<\/p>\n<p>No modelo vigante at\u00e9 o final dos anos 1990, os dois primeiros dias eram dedicados aos profissionais do livro. Pretendia-se criar um ambiente de neg\u00f3cios entre editores, distribuidores e livreiros, e palestras que fossem de interesse dos diferentes segmentos de mercado. Isso acabou, apesar da programa\u00e7\u00e3o se manter e apresentar v\u00e1rias mesas e palestras muito interessantes. Mas essas palestras para profissionais ocorrem no per\u00edodo normal de visita\u00e7\u00e3o, o que evidentemente dificulta a presen\u00e7a dos principais interessados, ocupados em seus estandes.<\/p>\n<p>O lay-out das feiras abandonou, de modo evidente, a tentativa de mesclar expositores de porte diferente, que procurava fazer com que uns atra\u00edssem visitantes tamb\u00e9m para os outros. O que se v\u00ea hoje \u00e9 um \u201cpelot\u00e3o de frente\u201d que procura capturar de imediato a aten\u00e7\u00e3o dos visitantes. Do abandono do cheque-livro j\u00e1 falei.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do estacionamento no Anhembi (que \u00e9 uma concess\u00e3o que n\u00e3o depende dos promotores das feiras) \u00e9 um absurdo. Vamos convir: quem quer pagar R$ 30,00 pelo estacionamento e R$ 12,00 pelo ingresso para dar de cara com uma \u201cmini\u201d megastore da Saraiva, que pode ser visitada nos grandes shoppings centers com ingresso gratuito, estacionamento mais barato? \u00c9 preciso muito boa vontade para achar que o transporte entre o Metr\u00f4 e o o Anhembi compensa isso. A compensa\u00e7\u00e3o evidente \u00e9 a presen\u00e7a do p\u00fablico infantil e juvenil, importante para a forma\u00e7\u00e3o de novos leitores, mas que tamb\u00e9m aliena o interesse dos leitores j\u00e1 formados em busca do que n\u00e3o conheciam.<\/p>\n<p>Outro fator que modificou em muito o interesse pela Bienal \u00e9 o desenvolvimento da Internet. Nos seus prim\u00f3rdios, ir \u00e0 Bienal era praticamente a \u00fanica forma de se conhecer o conjunto da produ\u00e7\u00e3o editorial do pa\u00eds. Isso \u00e9 passado. N\u00e3o apenas as grandes megastores oferecem in loco uma grande variedade, com servi\u00e7os cada vez melhores que facilitam o atendimento. Mas, sobretudo, o desenvolvimento da Internet mudou e muda cada vez mais aceleradamente o modo do p\u00fablico leitor achar os livros. As editoras, principalmente as especializadas e de pequeno e m\u00e9dio porte, constatam que a difus\u00e3o de seus cat\u00e1logos online mantem vivos t\u00edtulos que, em outras \u00e9pocas, j\u00e1 teriam sido retirados dos cat\u00e1logos h\u00e1 muito tempo. E isso se deve ao fato de que os leitores encontram esses livros por meios eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que come\u00e7a a haver defec\u00e7\u00f5es significativas na presen\u00e7a de editoras na Bienal. Algumas s\u00e3o simb\u00f3licas, como \u00e9 o caso da Summus, de propriedade de um ex-presidente da CBL, que deixou claro e por escrito as raz\u00f5es de sua n\u00e3o presen\u00e7a no evento. Outras tem um peso espec\u00edfico para um determinado p\u00fablico,  como \u00e9 o caso da Cosac&#038;Naify. E, mais significativo ainda, \u00e9 a aus\u00eancia de duas editoras do setor did\u00e1dico, e de grande porte, como \u00e9 o caso da Positivo e da Editora Nacional\/IBEP. A Positivo, ali\u00e1s, patrocina um evento de uma subsidi\u00e1ria da Feira do Livro de Frankfurt, a <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.contec-brasil.com\/pt\/');\"  href=\"http:\/\/www.contec-brasil.com\/pt\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.contec-brasil.com%2Fpt%2F','CONTEC')\" target=\"_blank\">CONTEC<\/a>, que acontece nos dias 7 e 8 de agosto no Audit\u00f3rio do Ibirapuera, com uma fornida presen\u00e7a de palestrantes internacionais (e de ingresso gratuito para os inscritos).<\/p>\n<p>S\u00e3o sintomas da crise do modelo, evidentemente. A \u201cconta n\u00e3o fecha\u201d, como diz Raul Wassermann, ou o p\u00fablico alvo n\u00e3o est\u00e1 presente no evento, como parece ser a considera\u00e7\u00e3o da Cosac&#038;Naify, do IBEP\/NACIONAL e da Positivo.<\/p>\n<p>Acrescento que, na minha an\u00e1lise, a crise desse modelo \u00e9 particularmente sens\u00edvel para as Bienais do Livro de S. Paulo e do Rio de Janeiro. Pelas observa\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es que recolho, as feiras de capitais no norte, nordeste e centro-oeste do pa\u00eds ainda est\u00e3o se sustentando com sucesso, muitas vezes gra\u00e7as a substanciais investimentos do setor p\u00fablico, principalmente na forma de cheques-livros e vales de compras entregues a alunos e professores da rede p\u00fablica. Esses aportes s\u00e3o um fen\u00f4meno mais recente e muito importante para que professores e alunos tenham a oportunidade de adquirir livros. Al\u00e9m do mais, nessas cidades, a oferta de programas culturais \u00e9 muito menor, de modo que as feiras e festivais suprem uma necessidade de abrir espa\u00e7o para o contato entrte leitores e escritores.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho voca\u00e7\u00e3o para Cassandra e realmente gostaria de estar completamente equivocado. Mas acredito que, se o modelo das Bienais do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo n\u00e3o for repensado e reformulado, o risco que a CBL e o SNEL correm \u00e9 de, em alguma das pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, assumirem compromissos financeiros vultosos com o aluguel do espa\u00e7o e a prepara\u00e7\u00e3o do evento e, de repente, se verem sem expositores suficientes para cobrir esses compromissos. Se isso acontecer, acaba tanto a promo\u00e7\u00e3o do livro e da leitura e como o aporte para as finan\u00e7as das entidades.<\/p>\n<p>O modelo exitoso em um determinado per\u00edodo pode esgotar seu prazo de validade. O exemplo da FENIT, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 o mais gritante. Mas o surgimento de espa\u00e7os expositivos menores e mais flex\u00edveis \u00e9 sinal de que, para v\u00e1rios setores, os mega-eventos j\u00e1 est\u00e3o a caminho da extin\u00e7\u00e3o. Os dinossauros j\u00e1 foram extintos. Ser\u00e3o as grandes feiras as pr\u00f3ximas v\u00edtimas da evolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaugura-se esta semana mais uma Bienal Internacional do Livro de S. Paulo, no Pavilh\u00e3o do Anhembi. Participo das Bienais do Livro desde os anos 1980, como visitante, expositor e, a certas alturas, como membro da organiza\u00e7\u00e3o. Desde 2004 voltei a ser apenas visitante. 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