{"id":1200,"date":"2012-06-19T11:11:48","date_gmt":"2012-06-19T14:11:48","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1200"},"modified":"2012-06-19T11:11:48","modified_gmt":"2012-06-19T14:11:48","slug":"sebos-um-mundo-a-parte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1200","title":{"rendered":"Sebos, um mundo \u00e0 parte"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=1201\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D1201','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-1201\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Capturar2.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"854\" height=\"445\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1201\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Capturar2.jpg 854w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Capturar2-300x156.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 854px) 100vw, 854px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O mundo dos sebos constitui uma dessas \u00e1reas do mercado editorial que todo mundo sabe que existe, mas poucos se aventuram a explorar, no sentido de compreender seu papel, sua dimens\u00e3o e seus efeitos na ind\u00fastria. <\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que a hist\u00f3ria dos sebos se confunde com a das livrarias &#8220;normais&#8221; e com as editoras, e at\u00e9 mesmo com a das bibliotecas. Jos\u00e9 Olympio trabalhava na livraria Garroux e abriu sua loja quando adquiriu a cole\u00e7\u00e3o de Alfredo Pujol. A livraria, neg\u00f3cio mais est\u00e1vel que a publica\u00e7\u00e3o, foi a base do desenvolvimento de varias casas editoriais, assim como as revistas l\u00edtero-pol\u00edticas, como \u00e9 o caso da Revista do Brasil, de Monteiro Lobato.<\/p>\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o das cole\u00e7\u00f5es ou bibliotecas de bibli\u00f3filos permitia a circula\u00e7\u00e3o dos livros em um momento em que a ind\u00fastria editorial apenas engatinhava, e a importa\u00e7\u00e3o de livros era um importante componente do mercado livreiro-editorial. <\/p>\n<p>Esse papel de &#8220;reciclagem&#8221; dos sebos se acentuou com o desenvolvimento, e a consequente segmenta\u00e7\u00e3o, do mercado editorial e livreiro. As editoras separaram-se das livrarias e estas se subdividiram, ficando de um lado as livrarias de novidades e acervo e, do outro, os sebos, ou &#8220;livrarias de usados&#8221;.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Os sebos cumprem v\u00e1rios pap\u00e9is no mercado livreiro. Grosso modo, podem-se distinguir v\u00e1rias divis\u00f5es: os antiqu\u00e1rios livreiros, garimpadores e comerciantes de obras raras, livros de arte, etc.; os sebos tradicionais, que podem at\u00e9 vender obras raras, mas essas s\u00e3o achadas no &#8220;garimpo&#8221; do acervo; pontas de estoque, livrarias que misturam livros usados com as pontas de estoque vendidas como saldo por editoras ou distribuidoras.<\/p>\n<p>\u00c9 um mundo fascinante, do qual, na verdade, se sabe muito pouco. O professor e acad\u00eamico Ant\u00f4nio Carlos Secchin publicou um pequeno livro, que teve varias edi\u00e7\u00f5es, sobre os sebos mais conhecidos do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, acrescido de informa\u00e7\u00f5es sobre as principais lojas de Belo Horizonte, Bras\u00edlia, Curitiba, Goi\u00e2nia, Porto Alegre, Recife, Salvador e S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. O livro \u00e9 atualmente publicado pela Lexicon e a ultima edi\u00e7\u00e3o que localizei \u00e9 de 2007. O livro de Secchin se apresenta como um &#8220;guia comentado&#8221;. Ou seja, o professor e acad\u00eamico os conhece pessoalmente e oferece uma breve avalia\u00e7\u00e3o do tipo e da qualidade do acervo oferecido.<\/p>\n<p>O trabalho pioneiro de Secchin foi ultrapassado, em quantidade, pelo surgimento do site <a href=\"www.estantevirtual.com.br\" target=\"_blank\">Estante Virtual<\/a>. O site abre links para os acervos de sebos em todos os estados, oferecendo mecanismo de busca bastante eficiente que permite pesquisar entre centenas de milhares de t\u00edtulos cadastrados pelos sebos afiliados. A Estante Virtual se apresenta como local de compra de &#8220;livros usados e seminovos&#8221;, e isso abre espa\u00e7o para observa\u00e7\u00f5es importantes.<\/p>\n<p>As livrarias de sebos &#8211; ou alfarrabistas -, como se dizia tradicionalmente, cumprem v\u00e1rios pap\u00e9is importantes para a ind\u00fastria livreira. Ali podem ser encontrados n\u00e3o apenas livros usados que ainda est\u00e3o no mercado &#8211; \u00e0s vezes em edi\u00e7\u00f5es mais antigas, inclusive com ortografia ultrapassada &#8211; como tamb\u00e9m exemplares de edi\u00e7\u00f5es esgotadas e fora do mercado. Ao manterem \u00e0 venda esses t\u00edtulos, os sebos cumprem, em parte, um papel tradicionalmente reservado \u00e0s bibliotecas p\u00fablicas. A mem\u00f3ria editorial do pa\u00eds, que n\u00e3o se sustenta no deficient\u00edssimo sistema de bibliotecas que temos, faz dos sebos o deposit\u00e1rio de t\u00edtulos que, por uma ou outra raz\u00e3o, deixaram de ser publicados, mas que nem por isso s\u00e3o menos importante para a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, para pesquisas, etc.<\/p>\n<p>Do ponto de vista social, esse \u00e9 o papel mais importante dos sebos. Neles se produz uma esp\u00e9cie de reciclagem dos exemplares. O que n\u00e3o \u00e9 mais interessante para algu\u00e9m, pode ser o exemplar longamente procurado por outro leitor, que n\u00e3o o encontra nas bibliotecas.<\/p>\n<p>O mercado de livros raros \u00e9 outro tradicionalmente ocupado pelos sebos. Colecionadores, bibli\u00f3filos, admiradores de edi\u00e7\u00f5es antigas, todos encontram nos sebos especializados uma fonte para satisfazer suas necessidades. Os sebos dessa categoria disp\u00f5em inclusive de liga\u00e7\u00f5es internacionais, com sebos de v\u00e1rios pa\u00edses, e chegam a organizar leil\u00f5es de obras especialmente raras e procuradas. As primeiras edi\u00e7\u00f5es de livros de autores que se tornaram famosos, e que foram inicialmente publicados de forma prec\u00e1ria, s\u00e3o alguns dos itens mais procurados em sebos.<\/p>\n<p>Um dos autores interessantes da literatura policial contempor\u00e2nea \u00e9 John Dunning, cujo personagem e detetive \u00e9 dono de um sebo. Cliff Janeway, o livreiro-detetive vai se envolvendo em casos enquanto  relata alguns aspectos caracter\u00edsticos do trabalho profissional de donos de sebos: avalia\u00e7\u00e3o de acervos, identifica\u00e7\u00e3o de falsifica\u00e7\u00f5es e o estabelecimento da autenticidade de aut\u00f3grafos. Em um dos livros da s\u00e9rie, o personagem se depara com um habilidoso falsificador de dedicat\u00f3rias nas primeiras edi\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos da literatura norte-americana. Os exemplares s\u00e3o aut\u00eanticos, mas as dedicat\u00f3rias s\u00e3o todas falsas.<\/p>\n<p>Esse romance de Dunning remete a um dos problemas dos sebos: o de livreiros desonestos que fazem circular obras roubadas. O mercado de raridades bibliogr\u00e1ficas abrange exemplares que podem chegar a valer milh\u00f5es de reais (ou d\u00f3lares). Aqui mesmo no Brasil tivemos, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo, casos de roubos de livros de importantes bibliotecas de museus e bibliotecas de conserva\u00e7\u00e3o, inclusive da Biblioteca Nacional. <\/p>\n<p>Se o mundo dos sebos \u00e9 pouco conhecido em suas caracter\u00edsticas econ\u00f4micas, a \u00e1rea dos livros raros o \u00e9 menos ainda. Os ladr\u00f5es de raridades muitas vezes atuam em conjunto com os vendedores de obras de arte roubadas de museus, saqueadas em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, e tamb\u00e9m s\u00e3o primos dos que negociam falsifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o mercado ilegal que \u00e9 processado por alguns sebos &#8211; felizmente uma minoria &#8211; n\u00e3o se restringe \u00e0s obras raras. Existe tamb\u00e9m um tr\u00e1fico de exemplares que ainda est\u00e3o no mercado, roubados dos dep\u00f3sitos das editoras e das gr\u00e1ficas. Livros de arte, dicion\u00e1rios, livros acad\u00eamicos mais caros, como os de medicina e engenharia, \u00e0s vezes aparecem nos sebos como &#8220;seminovos&#8221; quando na verdade foram roubados. <\/p>\n<p>Quando uma editora encomenda um livro, fornece papel suficiente para a tiragem prevista e mais uma sobra, dita &#8220;para ajuste das maquinas&#8221;. Desse modo, o n\u00famero real de exemplares impressos nunca \u00e9 exatamente o encomendado. As gr\u00e1ficas que mant\u00eam controle dos processos produtivos entregam todos esses exemplares \u00e0 editora. Mas, mesmo assim, existe a possibilidade de infiltra\u00e7\u00e3o por quadrilhas que vendem livros &#8220;seminovos&#8221;, \u00e0s vezes at\u00e9 antes que os exemplares das editoras cheguem \u00e0s livrarias. O mundo editorial convive com historias desse tipo. Em outros casos, os livros s\u00e3o roubados diretamente dos dep\u00f3sitos das editoras. Obviamente, os alvos dessas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o os t\u00edtulos mais vendidos e mais caros, como mencionei. Ocasionalmente esses livros aparecem nos pontos de venda que oferecem as &#8220;pontas de estoque&#8221; das editoras.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que penso em montar uma estrat\u00e9gia de pesquisa para chegar mais perto do universo dos sebos. Gostaria de conhecer melhor n\u00e3o apenas a din\u00e2mica de seu funcionamento no Brasil, como tamb\u00e9m o lado econ\u00f4mico e social do neg\u00f3cio. Quem sabe, um dia eu consigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo dos sebos constitui uma dessas \u00e1reas do mercado editorial que todo mundo sabe que existe, mas poucos se aventuram a explorar, no sentido de compreender seu papel, sua dimens\u00e3o e seus efeitos na ind\u00fastria. \u00c9 bom lembrar que a hist\u00f3ria dos sebos se confunde com a das livrarias &#8220;normais&#8221; e com as editoras, &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1200\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1200','Continue+lendo+Sebos%2C+um+mundo+%C3%A0+parte+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Sebos, um mundo \u00e0 parte<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[178],"tags":[349,348],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1200"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1200"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1203,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions\/1203"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}