{"id":103,"date":"2011-07-05T15:08:01","date_gmt":"2011-07-05T18:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=103"},"modified":"2011-07-06T17:48:05","modified_gmt":"2011-07-06T20:48:05","slug":"a-literatura-brasileira-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=103","title":{"rendered":"A Literatura Brasileira no Exterior"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=104\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D104','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-104\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"860\" height=\"445\" class=\"aligncenter size-full wp-image-104\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar.jpg 860w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capturar-300x155.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Aqui est\u00e1 a coluna publicada no <em>Publish News<\/em> de hoje.<\/strong><\/p>\n<p>Em 1994 fui um dos organizadores da participa\u00e7\u00e3o do Brasil como \u201cPa\u00eds Tema\u201d da Feira de Livros de Frankfurt, assunto sobre o qual ainda voltarei a falar. Mas hoje quero compartilhar com os leitores algumas reflex\u00f5es decorrentes da minha participa\u00e7\u00e3o atual no projeto Conex\u00f5es \u2013 mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, do Ita\u00fa Cultural, do qual sou consultor.<br \/>\nA men\u00e7\u00e3o \u00e0 Feira de Frankfurt n\u00e3o foi casual. O fato \u00e9 que, depois dela, o n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es e o reconhecimento da literatura em portugu\u00eas produzida no Brasil aumentou substancialmente. As estat\u00edsticas internacionais s\u00e3o t\u00e3o ou mais prec\u00e1rias que as brasileiras, mas os dados do mercado editorial alem\u00e3o mostram que os livros dos nossos autores eram os mais traduzidos entre os provenientes do chamado \u201cTerceiro Mundo\u201d, na Alemanha.<br \/>\nEsse enorme esfor\u00e7o n\u00e3o teve a continuidade merecida, em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o da literatura. Os programas de apoio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o foram interrompidos v\u00e1rias vezes, e as a\u00e7\u00f5es se resumiram quase que \u00e0 presen\u00e7a das editoras brasileiras nas feiras internacionais.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Continuou-se a traduzir literatura brasileira, certamente, mas o ritmo de sua presen\u00e7a no exterior diminuiu consideravelmente j\u00e1 no final dos anos 90 e na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo.<br \/>\nUma das pessoas que acompanhou esse esfor\u00e7o de difus\u00e3o da nossa literatura em Frankfurt foi o Claudiney Ferreira, o qual, com o Jorge Vasconcellos, eram ent\u00e3o os respons\u00e1veis pelo programa radiof\u00f4nico \u201cCertas Palavras\u201d, que por mais de uma d\u00e9cada reuniu um enorme acervo de entrevistas com autores de todos os g\u00eaneros publicados no Brasil.<br \/>\nAnos depois, Claudiney Ferreira j\u00e1 trabalhava no Ita\u00fa Cultural quando, em conversa com o prof. Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha, este apontou que estava notando um aumento significativo dos estudiosos, professores e pesquisadores, da literatura brasileira no exterior. Claudiney, que conhecia a hist\u00f3ria de Frankfurt, fez a pergunta singela: \u201cQuem s\u00e3o e onde est\u00e3o essas pessoas\u201d?<br \/>\nTal como as informa\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o editorial, as relativas ao n\u00famero, local de trabalho e linhas de pesquisa eram tamb\u00e9m fragment\u00e1rias e dispersas.<br \/>\nClaudiney Ferreira prop\u00f4s \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Ita\u00fa Cultural estabelecer o projeto, para o qual me convidou a participar. Nascia ent\u00e3o o \u201cConex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira\u201d.<br \/>\nO projeto consiste basicamente na constru\u00e7\u00e3o de um banco de dados com informa\u00e7\u00f5es sobre esse universo largamente desconhecido dos professores e pesquisadores da literatura brasileira no exterior.<br \/>\nNas conversas para o desenho do projeto foram se esclarecendo algumas de suas linhas fundamentais.<br \/>\nEm primeiro lugar, considerava-se importante conhecer o assunto. Pois bem, o que havia de s\u00f3lido, quantific\u00e1vel e demonstr\u00e1vel na \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d de que estava aumentando o n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es de autores brasileiros e o n\u00famero de professores, pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas que estudavam literatura brasileira? Em que se fundamentava efetivamente essa nossa \u201cpercep\u00e7\u00e3o\u201d? Seria apenas uma ilus\u00e3o ufanista ou existia mesmo?<br \/>\nEm segundo lugar, para n\u00f3s era evidente que a descontinuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio e est\u00edmulo \u00e0 difus\u00e3o internacional da literatura brasileira prejudicavam esse desempenho. Os exemplos palp\u00e1veis do Instituto Cam\u00f5es, de Portugal, e o Instituto Cervantes, da Espanha, mostravam a import\u00e2ncia da continuidade e da consist\u00eancia de pol\u00edticas de Estado para a difus\u00e3o da literatura nacional. Os portugueses afirmavam sua presen\u00e7a na expans\u00e3o do portugu\u00eas com o estabelecimento de programas de tradu\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o (inclusive dos autores lusos no Brasil), nas universidades e centros de estudo da literatura e ensino do portugu\u00eas, com c\u00e1tedras em dezenas de universidades. Os espanh\u00f3is tinham no Instituto Cervantes um meio eficaz de ajudar a ind\u00fastria editorial espanhola a ocupar espa\u00e7os na Am\u00e9rica Latina, e uma institui\u00e7\u00e3o vibrante na difus\u00e3o e ensino do castelhano.<br \/>\nN\u00f3s s\u00f3 t\u00ednhamos iniciativas esparsas e descontinuadas. E, no entanto, ach\u00e1vamos que a presen\u00e7a da nossa literatura aumentava. Seria verdade?<br \/>\nNa constru\u00e7\u00e3o do banco de dados e dos rumos do projeto discutimos tamb\u00e9m os problemas relacionados ao conte\u00fado, ou \u00e0 qualidade da literatura que quer\u00edamos \u201cmapear\u201d. Ficar\u00edamos restritos ao c\u00e2non reconhecido pela academia? Ou incluir\u00edamos, nesse mapeamento todas as manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que se apresentassem como tais, sem impor distin\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter normativo.<br \/>\nAlgumas consultas a bancos de dados existentes, como o Index Translationum, da UNESCO, nos deram indica\u00e7\u00f5es preciosas. Al\u00e9m do Paulo Coelho, o fen\u00f4meno mais recente de presen\u00e7a de autor brasileiro no \u00e2mbito internacional, descobrimos, por exemplo, que Jos\u00e9 Mauro Vasconcelos, o autor do \u201cMeu P\u00e9 de Laranja Lima\u201d, obra virulentamente rejeitada pela cr\u00edtica e de enorme sucesso p\u00fablico, era um dos autores que mais tradu\u00e7\u00f5es registravam naquele banco de dados da UNESCO.<br \/>\nDecidimos, ent\u00e3o, que o banco de dados n\u00e3o teria nenhum vi\u00e9s normativo. Quer\u00edamos informa\u00e7\u00e3o sobre qualquer tipo de literatura publicada no exterior, independente da sua posi\u00e7\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica, acad\u00eamica ou n\u00e3o.<br \/>\nA constru\u00e7\u00e3o do banco de dados proporcionaria tamb\u00e9m outros resultados, for\u00e7osamente. Faria que os pesquisadores espalhados pelo mundo soubessem quem estava estudando ou trabalhando quais autores, independentemente das conex\u00f5es ou liga\u00e7\u00f5es que tivessem no \u00e2mbito da academia. A constitui\u00e7\u00e3o dessa rede \u2013 totalmente atrav\u00e9s da Internet \u2013 deveria propiciar articula\u00e7\u00f5es nascidas da din\u00e2mica de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. N\u00e3o interessaria ao projeto do Ita\u00fa Cultural controlar o desenvolvimento dessas articula\u00e7\u00f5es: basta com ser o nexo onde elas se constituem.<br \/>\nFinalmente o banco de dados propiciaria elementos para o desenvolvimento de novas pesquisas, novos temas de trabalho e de produ\u00e7\u00e3o intelectual. O conjunto de informa\u00e7\u00f5es ali reunidos se tornaria tamb\u00e9m um objeto de pesquisa e est\u00edmulo para o desenvolvimento de conex\u00f5es entre pesquisas existentes.<br \/>\nPois bem, o Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira &#8211; est\u00e1 saud\u00e1vel e crescendo. J\u00e1 fez v\u00e1rios encontros, no Brasil e no exterior, entre pesquisadores, autores, tradutores e editores, sempre com o intuito de ajudar na maior e melhor divulga\u00e7\u00e3o internacional da nossa literatura.<br \/>\nO Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira mant\u00eam um site\/blog com not\u00edcias sobre os \u201cmapeados\u201d e onde pode tamb\u00e9m ser consultado parte do banco de dados, com tabelas constru\u00eddas a partir do que \u00e9 quantific\u00e1vel.<br \/>\nJ\u00e1 s\u00e3o 192 \u201cmapeados\u201d, vinculados a mais de cem institui\u00e7\u00f5es do exterior, que citam como objeto de interesse centenas de autores brasileiros de todos os g\u00eaneros e de todas as \u00e9pocas, desde os cl\u00e1ssicos at\u00e9 poetas da periferia.<br \/>\nTudo isso aberto ao p\u00fablico atrav\u00e9s da Internet. Quer saber mais sobre a presen\u00e7a internacional da nossa literatura, v\u00e1 ao blog do projeto: www.conexoesitaucultural.org.br. Al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es, pode ver dezenas de v\u00eddeos com autores brasileiros, acessar uma biblioteca de textos raros e exclusivos sobre a presen\u00e7a de nossa literatura no exterior.<br \/>\nParticipar desse projeto me d\u00e1 um grande orgulho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqui est\u00e1 a coluna publicada no Publish News de hoje. Em 1994 fui um dos organizadores da participa\u00e7\u00e3o do Brasil como \u201cPa\u00eds Tema\u201d da Feira de Livros de Frankfurt, assunto sobre o qual ainda voltarei a falar. 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