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Feiras Internacionais – vale a pena ser país-tema?

Sabendo do meu envolvimento com a presença internacional da literatura brasileira, amigos meus já perguntaram para que serve essa história de ser “país convidado” ou “tema central” de feiras internacionais. Com a próxima reapresentação do Brasil como tema em Frankfurt, em 2013, vale a pena pensar um pouco a respeito.
Como já escrevi neste blog, o inventor desses “temas centrais” em feiras do livro foi Peter Weidhaas que, durante vinte e cinco anos, foi o diretor da Feira do Livro de Frankfurt, como resposta a uma demanda de que aquele evento não se restringisse a ser um amplificador do negócio de best-sellers e abordasse também temas relevantes no âmbito da discussão intelectual.
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BIENAIS – PARA AVANÇAR NA DISCUSSÃO

Ao comentar o livro de Peter Weidhaas – “See You in Frankfurt!” – assinalei como a resposta encontrada para as acusações de que a Feira de Frankfurt só se preocupava com os best-sellers foi a de organizá-la em torno de “Temas”. Primeiro foram temas mais genéricos: Ano da Mulher, Literatura Latino-americana, Livro Infantil, África. Depois vieram os países Tema, entre os quais o Brasil, em 1994, agora novamente convidado para 2013.
Por outro lado, no post do dia 8 de julho, comentando a FLIP, a Jornada de Passo Fundo e as feiras de livro em geral, mostrei como foram progressivamente implantados os eventos culturais em nossas feiras. Sem dúvida, essa dinâmica representou um enorme avanço diante do que existia até o final dos anos 90, quando os “eventos paralelos” nas Bienais do Livro se transformaram em Salão de Ideias (S. Paulo) e Café Literário (Rio de Janeiro), e como esses foram se multiplicando dentro dessas feiras e nas outras que foram surgindo Brasil afora.
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“See you in Frankfurt!”

Era assim que amigos, conhecidos ou quem estivesse envolvido com a presença de sua editora (ou do país) na maior feira de livros de mundo se despediam de Peter Weidhaas que, por 25 anos, foi o diretor da Austellungs und Messe, a empresa de propriedade dos editores e livreiros alemães. É também o título do livro em que ele relembra essa experiência.
Quando conheci Weidhaas, no processo de preparação para a participação do Brasil como tema da Feira de Frankfurt de 1994 (em 1992), ele era, para mim, uma espécie de “todo-poderoso” do evento. O que Peter decidisse, estava decidido. Já fora à Feira antes, mas não o conhecia pessoalmente.
O livro lança luz sobre a trajetória que o levou a essa posição e o que estava subjacente à sua concepção das feiras de livro e de sua importância para a difusão do livro e da leitura.

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Qual a vantagem de ir para um Congresso do livro digital?

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º. Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.
Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

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Listas de mais vendidos – a que vem o digital?


Confesso que sempre tive profunda descrença nas listas de mais vendidos. Até hoje não me convenci com nenhum método de coleta desses dados por uma razão muito simples: não podem ser aferidos por terceiros. É um axioma do método científico que uma observação só é válida se puder ser repetida independentemente por outro pesquisador. Mas, vá lá, serve como indicador de tendências.
O Prosa e Verso d’O Globo publica já faz algum tempo uma lista dos “mais vendidos” em formato digital, com base nas informações da Cultura, Saraiva e Gato Sabido. Entusiasta que sou dos livros digitais, considero essa iniciativa mais uma “força” que o jornal dá para a ampliação do uso do formato que um indicador real de preferências.
O Kindle da Amazon é, também no Brasil, o e-reader mais usado, se não contarmos o acesso às publicações acadêmicas disponibilizadas pela CAPES/CNPQ e FAPESP nas universidades federais e paulistas. E nada disso é considerado. Mas tudo bem, força ao Globo pelo esforço de difusão do formato digital.

D’O CAPITAL AO LIVRO DIGITAL (PASSANDO PELO CINEMA)

Dias atrás enfrentei uma maratona de 492 minutos para assistir as três partes do filme “Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital”, do cineasta alemão Alexander Kluge. Sem querer entrar na seara do colega colunista aqui do Publish News, Pedro Almeida, e sua coluna “Veja antes de ler”, quero aproveitar o filme para fazer algumas considerações sobre livro e cinema. Não entro na seara dele porque não se trata de “ver antes de ler”. Muito pelo contrário. O que eu quero falar é sobre a especificidade do ler e, portanto, da irredutibilidade do livro.
As notícias sobre o filme vendiam uma coisa e, na verdade, o esforço do cineasta era outro. As matérias falavam de “um filme sobre O Capital” e até insinuavam que se tratava de uma tentativa de filmar a obra fundamental de Marx.

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Presidente Dilma na Bienal do Rio

A Coluna No Prelo, do Prosa e Verso de hoje, sábado, anuncia que a Presidente Dilma poderá não apenas inaugurar a próxima Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, como também  ser entrevistada no Mulher e Ponto por uma jornalista. Ótima notícia, mas a coluna comeu mosca ao dizer que esta seria a primeira vez que um Presidente da República inaugurava a Bienal do Rio. O Sarney inaugurou, como Presidente da República, a II Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontecia então no São Conrado Fashion Mall. O então presidente do SNEL era o Sérgio Lacerda, da Nova Fronteira.

Eu estava lá. Era a primeira vez que a Marco Zero participava de uma Bienal, e o Sarney até passou pelo nosso estande.

Como a memória é fraca, lembro que o Fernando Henrique visitou a Bienal do Livro de S. Paulo e que o Lula, esse cujos detratores dizem que não gosta do livro, prestigiou a inauguração da Bienal de São Paulo em 2004.

Aliás, para ficar também na ladeira da memória, foi o Senador José Sarney que encaminhou a emenda da desoneração fiscal das editoras (eliminação da cobrança do PIS/PASEP-COFINS), em acordo com o então ministro Palocci e com o aval do Presidente Lula.

Não é porque o Sarney agora quer que os documentos governamentais permaneçam em sigilo eterno que os editores (ingratos?!) devam deixar de registrar o que ele fez pelo livro.